Para varejo, fim de caixas tradicionais está próximo

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MARÇO, 2017

Notícias

Just walk out” – ou, em bom português, apenas saia. Este é o conceito adotado pela Amazon Go, a loja física piloto aberta pela Amazon, em Seattle, nos Estados Unidos, totalmente livre de caixas para pagamento. Concebido como um minimercado de proximidade, o ponto de venda funciona assim: o consumidor entra na loja, aproxima o smartphone de um sensor para se identificar via aplicativo, recebe notificações com ofertas personalizadas, escolhe os produtos que deseja comprar, aproxima novamente o celular do sensor e sai do estabelecimento. Nada de caixas, comprovantes ou pacotes. A fatura é debitada pelo aplicativo e as compras entregues no endereço combinado.

A loja piloto da Amazon Go é um exemplo das transformações pelas quais o varejo mundial vem passando e sinaliza algumas tendências que começam a virar realidade, inclusive, no Brasil. Entre elas, a extinção dos caixas nas lojas físicas como estamos acostumados. “A massificação dos smartphones, a adoção da tecnologia como instrumento para facilitar a vida do cliente e o comportamento da nova geração de consumidores, capitaneada pelos milleniuns, aceleram essas mudanças”, afirma Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail. “Ninguém mais quer perder tempo em filas. As lojas têm de funcionar com o mínimo de atrito possível.”

A extinção do caixa tradicional transfere a operação de pagamento literalmente para as mãos do vendedor, que na tela do celular ou do tablet consulta o estoque, separa o produto, conclui a venda e realiza o pagamento. Tudo sem abandonar o cliente. “Não se trata de eliminar postos de trabalho, mas de ampliar e qualificar ainda mais a equipe de venda, pois cada vendedor demorará mais tempo para concluir toda a operação.”

Num extremo, a tarefa é toda transferida para o cliente, que finaliza a compra no próprio smartphone via aplicativo.

A mudança, porém, esbarra em uma série de fatores, desde a aculturação do consumidor aos novos meios de pagamento digitais até a disponibilização de recursos para a implantação das novas tecnologias nos varejos de pequeno e médio porte.

“Ninguém duvida da importância e da rapidez com que os novos modelos de pagamento digitais virarão rotina no dia a dia das pessoas”, diz Marcos Gouvêa de Souza, sócio da GS&MD, consultoria especializada em varejo. “A dúvida está no custo exigido para esta mudança e em quanto a economia brasileira colabora para acelerar ou retardar esse processo.”

No Brasil pesam muito os aspectos fiscais e tributários, que diferem de Estado para Estado e até de cidade para cidade. Tamanha disparidade exige uma adaptação das ferramentas e, consequentemente, impacta no custo de sua implantação.

Disposta a sair na frente, a Paquetá Calçados inaugurou em abril de 2016, no Shopping Iguatemi de Porto Alegre, sua primeira loja de baixo atrito, com apenas um caixa, exclusivo para pagamentos em dinheiro. “A ideia era colocar dentro da flagship, de 300 m2, todas as tecnologias que tendem a permear o varejo e centralizar o processo de compra nas mãos dos vendedores”, afirma Marcos Vinicius Ravazzoli, diretor geral de varejo do Grupo Paquetá.

Pela tela do smartphone, o vendedor consulta o estoque, registra o pedido do cliente e finaliza a compra com pagamento via cartão de débito ou crédito. “Embora tenhamos mantido um caixa para transações em dinheiro, 90% das operações são feitas pelos vendedores, inclusive as que envolvem crédito pelo cartão de marca própria”, diz o executivo.

“O índice de conversão de venda subiu 20% com a nova proposta.” A meta é expandir o modelo de diminuição dos caixas para mais três unidades e, a partir de 2018, para as 35 lojas da rede.

O Bob’s também pretende redesenhar suas lojas: instalou no Rio de Janeiro, no Shopping da Barra, a sua primeira loja 100% digital. Ao contrário da Paquetá, que centralizou as vendas nos smartphones da equipe, no Bob’s a operação gira em torno do aplicativo da marca – que permite fazer o pedido e realizar pagamento antes mesmo de chegar nas lojas -, e dos totens de autoatendimento. “Independentemente do perfil de tecnologia adotada, o importante é que o varejo retire os caixas de forma planejada e gradativa, a fim de aculturar o consumidor para o novo modelo”, diz Patrícia Cotti, diretora do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo.

Fonte: Valor Econômico

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