OPINIÃO: De pai para filho

09

MAIO, 2017

Opinião

Nada! Isso é o que vai responder o papai, especialmente o que for empresário neste país de absurdos, se lhe for perguntado o que quer de presente em mais uma comemoração de Dia dos Pais. Não que sejamos avessos ao consumo e ao varejo. Muito pelo contrário! Até porque é dele que provém o nosso sustento e o de tantas famílias brasileiras que vivem do comércio. Mas esta é a maneira, ainda que meio arrevesada, de um pai brasileiro dizer a seus filhos que o que mais deseja é a felicidade de sua prole e nada mais. Que apenas almeja um futuro melhor para seus filhos e deseja que eles possam, se assim o desejarem, herdar os negócios dos pais. No Brasil, 90% das empresas são familiares. E herdar, claro, com uma boa chance de sobrevida, porque, infelizmente, somente 38% dos empreendimentos assumidos pelos filhos sobrevivem a essa transição.

O “nada” da resposta  significa, ainda, que gostaríamos que nossos negócios tivessem oportunidades justas de crescer neste país. Que tivéssemos que competir, apenas, contra o mercado; que já é cruel o suficiente. Entretanto, a situação atual é lamentável. Temos que lutar, diariamente, contra os desmandos econômicos, tributários e legais que desestabilizam qualquer planejamento. A instabilidade é generalizada. Parece que tomou conta de todas as esferas.

Nos últimos dois anos, o país fechou mais de 200 mil lojas e gerou quase 14 milhões de desempregados. Não era assim que imaginávamos o Brasil. Sinceramente, qualquer pai abriria mão de presentes para ver seus filhos esperançosos, ao invés de só enxergarem a possibilidade de um futuro promissor se mudarem de país ou passarem em um Concurso Público. Mas, enquanto a gente segue lutando por dias melhores, uma camisa de presente também vale. Manga Longa. Quentinha como um abraço!

 

* Carlos Frederico Schmaedecke, pai, empresário e VP de Micro e Pequenas Empresas da CDL POA.