Prévias para 2018

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AGOSTO, 2017

Economia

Em um país tomado por incertezas, uma das poucas coisas que sabemos é a eleição para presidente no ano que vem. O resultado desta, no entanto, está longe de ser evidente. Diversos atores políticos estão se colocando em uma posição de pré-candidatos para a eleição: João Dória Jr., Ciro Gomes, Lula, Jair Bolsonaro, dentre outros. Destes, os que simbolizam melhor a dicotomia do cenário político atual são Lula e Dória. Ambos estão viajando pelo país para disseminar seus pensamentos e entrar em contato com seu eleitorado.

Lula está em caravana pelo nordeste, fazendo campanha antecipada declarando ser ou candidato ou cabo eleitoral, caso esteja impedido de concorrer. Com frases de efeito e críticas a seus adversários e à imprensa, ele foi aclamado por seu público fiel que o colocou como líder nas pesquisas de voto para 2018. Quando foi eleito pela primeira vez à presidência, a simples probabilidade de sua vitória trouxe incerteza para o mercado, acarretando em uma breve recessão de outubro de 2002 a junho de 2003. Naquela época, houve uma mudança no discurso do então presidente que fez com que o mercado acreditasse no seu governo, o que ajudou na recuperação daquela crise. No entanto, estamos em um momento bem diferente, com Lula condenado em primeira instância por processo de corrupção, réu em outros processos e a três semanas de mais um depoimento ao juiz Sérgio Moro. Caso ele seja eleito, será muito difícil ganhar a confiança do mercado como foi há 14 anos.

O prefeito de São Paulo, João Dória, é a antítese do político de carreira. É um empresário bem sucedido que entrou na política declarando estar genuinamente preocupado com o futuro do país. Embora tenha declarado não ser presidenciável no ano que vem, Dória tem viajado pelo Brasil para conhecê-lo (segundo declarações dele), sem ter perdido a oportunidade de citar Lula em seus discursos. Ao que tudo indica, ele já escolheu o seu adversário, caso contrário não se deteria tanto nesse ponto. De qualquer maneira, ele ainda terá que enfrentar resistência em seu partido para concorrer à presidência, já que o candidato natural do PSDB seria justamente o seu padrinho político, Geraldo Alckmin.

Enquanto Dória e Lula estão em campanhas antecipadas à presidência, o país, incerto, espera chegar a eleição para sabermos que rumo iremos tomar. Mesmo que a economia tenha dado sinais de recuperação, a eleição de 2018 será um marco importante na crise política que ainda vivemos no país, para o bem ou para o mal. Ainda que possa surgir algum nome novo com chances reais de candidatura, dificilmente surgirá um que consiga unificar o eleitorado brasileiro. De qualquer forma, feliz 2018!

*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.