A política brasileira e suas reviravoltas

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SETEMBRO, 2017

Notícias

O ditado “depois da tempestade vem a calmaria” não tem encontrado uso no cenário político brasileiro, onde ultimamente tem ocorrido uma tempestade após a outra. Ainda que em maior ou menor escala, vivemos tempos turbulentos na nossa política e continuamos longe da calmaria. Com áudios de Joesley Batista e outro executivo da J&F divulgado na semana passada, colocou-se em xeque as denúncias contra o presidente Michel Temer feitas pelo próprio Joesley alguns meses atrás. Ainda que isso não seja prova a favor da boa índole do presidente da república, houve uma melhora de sua visão no mercado.

Também na semana passada, Antonio Palocci (ex-ministro da Fazenda) delatou Lula ao juiz Sergio Moro. Isso ocorreu em um momento em que o ex-presidente já estava em campanha para a eleição no ano que vem e foi um balde de água fria em seus aliados, já que veio de alguém muito próximo a ele. Ainda que Luís Inácio ainda tenha muita popularidade no país, o momento político, hoje, está pendendo mais para a direita do que para a esquerda, e não só pelo que aconteceu nas últimas semanas. Lula, Dilma, o PT e a esquerda ainda estão muito associados à crise econômica mais extensa da história brasileira, gerada em seu governo. Crise esta que foi muita marcada por queda na confiança do consumidor, encolhimento da renda e redução do nível de emprego. É natural, portanto, que aqueles associados à crise percam popularidade após a mesma.

Aliado a isso, diversos políticos (tanto de direita como de esquerda) estão envolvidos em denúncias por esquemas de corrupção, o que tem gerado uma perda geral na popularidade dos denunciados. O maior símbolo do combate à corrupção no Brasil é a operação Lava Jato, que tem como um de seus principais réus o possível presidenciável Lula. O problema para a esquerda é que esta não foi politicamente hábil em gerar um sucessor político para o ex-presidente, o que a faz perder mais pontos para a eleição do próximo ano.

Esta, portanto, tem sido uma época de aumento de popularidade dos partidos de centro-direita, até porque é no governo atual de centro-direita que está ocorrendo a recuperação da economia, com perspectivas muito favoráveis já para os próximos meses. No entanto, estamos falando do Brasil, onde depois da tempestade pode vir outra tempestade.

 

*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.