Alimentação apresenta nova deflação e IPCA fica abaixo da expectativa do mercado

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NOVEMBRO, 2017

Notícias

Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, ficou em 0,42% no Brasil, abaixo das expectativas de mercado (que esperava 0,48%, segundo o BCB). Houve nova deflação nos alimentos, que foram os componentes que mais puxaram o índice para baixo. Em especial a alimentação no domicílio, que registrou variação de -0,17% no mês.

Em contrapartida, o que mais puxou o índice para cima foram os preços de habitação, com destaque para a energia elétrica residencial, que apresentou crescimento de 3,28% nos seus preços. No acumulado em 12 meses, crescemos para 2,7%, mas ainda estamos abaixo do intervalo da meta de inflação (que vai de 3% a 6%). A expectativa de mercado é que fecharemos 2017 com o IPCA em 3,09%, beirando o limite inferior da meta.

O IPCA representa a evolução de um conjunto de bens e serviços consumidos por famílias que possuam rendimento de até 40 salários mínimos. Isto é, o índice mede a variação dos preços em uma cesta de consumo fictícia, baseada no consumo observado em um padrão específico de famílias, dentro das 13 regiões pesquisadas.

Por ser uma cesta de bens, o resultado final apurado da inflação leva em conta o peso de cada item dentro do total além da variação do preço do mesmo. Em outubro, o item que obteve a maior variação no IPCA brasileiro foi o maracujá, com 33,74% de crescimento de preço no mês. Mesmo assim, foi a energia elétrica residencial que mais fez crescer a inflação no mês, ainda que tenha variada 3,28% em outubro, menos de um décimo o item com maior variação. Isso ocorre devido ao peso de cada item no índice, pois enquanto o maracujá possui peso de 0,0051% em outubro, o peso da energia elétrica é de 3,5% na composição do índice final.

Portanto, ainda que às vezes apareçam alguns produtos que compõe a cesta do IPCA com uma alta variação de preço, é preciso que o alto índice de inflação seja difundido em boa parte do conjunto de produtos, já que o IPCA consiste em uma média ponderada dos mesmos. No caso do maracujá em outubro, se esse produto registrasse variação nula de preço, a inflação manteria-se em 0,42%. Mas, se a energia elétrica registrasse variação nula, a inflação de outubro teria sido 0,31%.

 

*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.