A importância da confiança do consumidor para o desempenho do comércio

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AGOSTO, 2018

Notícias

Na série de três artigos já publicados anteriormente, comentamos sobre a importância da renda como fator relevante para explicar as vendas do varejo. O presente artigo trata sobre outro vetor de fundamental relevância para o setor: a confiança do consumidor.

A confiança do consumidor depende, entre outros fatores, da estabilidade macroeconômica (emprego, renda, condições facilitadas de crédito, juros baixos) e política, entre outros fatores. Quanto maior o otimismo não só em relação à situação atual quanto às expectativas para o futuro, maior é a propensão das famílias em gastos com bens e serviços.

O gráfico abaixo mostra o Índice de Confiança do Consumidor, compilado pela FGV, de abrangência nacional. Os resultados revelam a deterioração desse indicador entre 2012 e meados de 2016, em linha com a dupla combinação entre inflação e forte aumento do desemprego, além do recrudescimento das instabilidades políticas. O início do processo de impeachment da ex-presidente Dilma marcou a reversão dessa tendência. Ainda que de maneira não-linear, o pessimismo vinha diminuindo desde então, em linha com a lenta recuperação da economia. A partir de junho, mês subsequente à greve dos caminhoneiros, perdeu novamente ímpeto.

Índice de Confiança do Consumidor – com ajuste sazonal
(Em pontos: valores acima de 100 denotam satisfação/otimismo e abaixo de 100 denotam insatisfação/pessimismo)

Fonte: FGV. Elaboração: AE/CDL POA.

 

Um dos fatores que impede a retomada mais forte da confiança diz respeito ao elevado contingente de trabalhadores que não consegue uma ocupação. A taxa de desemprego, que chegou a 13,0% no Brasil no segundo trimestre do ano passado, alcançou 12,4% no mesmo período desse ano. Já para o Rio Grande do Sul, passou de 8,4% para 8,3%. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, caiu de 10,2% para 10,1%.

Essas pequenas melhoras, no entanto, têm sido determinadas pelo mercado de trabalho informal (postos sem carteira assinada mais os trabalhadores por conta-própria). Além da ausência da teia de proteção do INSS e da inexistência de qualquer direito trabalhista, os informais recebem, em média, 27,2% menos do que aqueles com carteira assinada aqui no RS, por exemplo.

À medida que a retomada econômica ganhar mais força, mantida a estabilidade dos preços, a tendência é de que mais empregos formais sejam gerados, proporcionando a volta da confiança dos consumidores e, consequentemente, maior fluxo de vendas do comércio varejista.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA