Política e o mercado: as eleições de outubro e os seus impactos na economia

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MARÇO, 2018

Notícias

Os primeiros meses de 2018 trouxeram boas notícias para o Brasil: crescimento do PIB no ano passado, confiança do consumidor com tendência de alta, retração da inadimplência e melhora do nível de emprego formal. No entanto, se engana quem pensa que não teremos desafios neste ano. A economia brasileira, além de ainda carecer de reformas de médio e longo prazo, sofrerá fortes consequências do resultado da eleição de outubro, para o bem ou para o mal. Assim como o mercado internacional não enxerga com bons olhos a demora em aprovar a reforma da previdência, a eleição de um governo não alinhado com o mercado pode gerar efeitos indesejáveis no país.

A preocupação do mercado pouco tem a ver com o alinhamento político do governo que será eleito, apenas há a preocupação de como a economia será gerida. Quando Lula foi eleito, em 2002, ele se preocupou com o que o mercado estava prevendo caso ele foi eleito e, por isso, lançou uma carta ao mercado, dizendo que o povo brasileiro necessitava de reformas, prometeu manter as contas públicas em dia e declarou que “a estabilidade, o controle das contas públicas e da inflação são hoje um patrimônio de todos os brasileiros”. Com esse discurso e suas ações no início do seu primeiro mandato, o ex-presidente foi hábil em acalmar o mercado quanto à expectativa sobre o seu governo.

No presente momento, nenhum candidato se utilizou do mesmo recurso para acalmar o mercado. É verdade que, ao contrário de Lula na época, não há nenhum candidato hoje com tamanha probabilidade de vitória. A eleição desse ano está longe de ser definida, o que gera incerteza e complica ainda mais as previsões de mercado. O ideal para o futuro da economia do país seria um alinhamento dos principais candidatos com as reformas necessárias para o futuro da economia do país, independente de qual bandeira cada candidato defende. Afinal, o país precisa de reformas previdenciária, tributária e política, e não ideológicas.

*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.