Saída para a crise é reduzir custos

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JANEIRO, 2018

Notícias

Embora o Brasil já não esteja mais em recessão, o país ainda passa por uma séria crise das suas contas. O poder público gera déficits recorrentes, que tornam a situação econômica mais delicada a cada ano. Neste janeiro, há uma pressão da equipe econômica a fim de que o BNDES devolva R$ 130 bilhões para arcar com parte da dívida deste ano, além dos R$ 50 bilhões que o banco de fomento já devolveu ao Tesouro no ano passado para esse mesmo fim. Com isso, o governo tenta não quebrar a “regra de ouro” em 2018, isto é, não seriam emitidos títulos para pagamento de dívida corrente, algo que é proibido pela Constituição.

Não foi à toa que na primeira quinzena de 2018 a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a nota de crédito do país. Isso ocorreu em resposta à crise fiscal brasileira, além da demora e do menor apoio político para que o problema das contas públicas seja sanado. A redução da nota de crédito se traduz em diminuição da confiança externa no Brasil, gerando uma maior desconfiança do investidor estrangeiro, que diminui o investimento externo.

Os efeitos da irresponsabilidade fiscal do governo podem ser desastrosos na economia real, seja diretamente ou decorrentes desta redução de confiança. Se nada for feito, poderemos ter uma forte alta da Selic com pressão inflacionária, o que gera encarecimento e diminuição dos investimentos dos empresários brasileiros. Nesse caso, os danos à população e às empresas poderiam ser catastróficos, já que o país ainda está fragilizado. O comércio, que já voltou a ter sinais de crescimento de consumo, pode ser forçado a passar novamente por uma instabilidade.

Uma solução para a crise do governo é o corte de gastos, ou o governo aumenta a receita, ou ele diminui a despesa. Como aumentar a receita significa fazer com que a população e os empresários paguem ainda mais impostos, prejudicando a economia, a solução deveria vir da redução dos custos. Com isso, não apenas a recuperação da economia fica mais viável como também a imagem da nação melhora para os investidores externos.

*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.

Fonte: GaúchaZH