A transformação do varejo com a era digital – Por Alcides Debus*

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AGOSTO, 2018

Notícias

A internet se tornou uma realidade irreversível. Só o Brasil conta com aproximadamente 140 milhões de internautas, sendo o quarto maior mercado da web no mundo. Segundo o IBGE, 40% dessas conexões acontecem por meio de smartphones, e cerca de 92% das famílias brasileiras têm pelo menos um desses aparelhos. A internet está mudando, assim, a forma como as pessoas se comunicam, se relacionam e, inevitavelmente, compram.

De acordo com pesquisa da PagBrasil, processadora de pagamentos online, em 2017, mais de 55 milhões de brasileiros realizaram compras pela internet ao menos uma vez — o que representa um aumento de 15% em relação ao ano anterior. E se engana quem acredita que isso é apenas uma tendência dos millennials. No Brasil, a média de idade do consumidor de e-commerce é de 42,2 anos. A maioria destes clientes têm mais de 35 anos.

Diante desse cenário, é imperativo que o comércio pense no ambiente digital e online, mudando tanto a forma como aborda e interage com os consumidores quanto a maneira que oferece os produtos. Facilidade e agilidade se tornaram características fundamentais no varejo. Por isso, é importante oferecer alternativas conectadas para os clientes. Usar aplicativos para realizar pagamentos e ter a opção de retirada de produto na loja física quando a compra for online são alguns exemplos. Essas ações tornam a experiência do cliente mais satisfatória, e é isso que os lojistas devem buscar.

Essa mudança de paradigma chega também na relação entre consumidor e empresa. Os clientes buscam experiências mais imersivas e menos agressivas. É necessário oferecer conteúdo de qualidade sobre o produto, não apenas encher o cliente de promoções. Hoje, sabe-se que os canais digitais têm um peso grande na jornada de compra. Segundo o estudo global Connected Life, realizado pela consultoria Kantar TNS, 74% dos brasileiros pesquisam na web antes de comprar um produto. Ou seja, a jornada de compra digital merece muita atenção. Por isso, o varejo deve pensar agora em operações, especificamente, criadas para coletar e processar dados. A tendência é de que, cada vez mais, estratégias digitais e ferramentas analíticas se tornem essenciais para lojistas.

O panorama digital pode assustar muitos varejistas que apostam apenas nos métodos mais convencionais do comércio offline — estes sempre irão existir e, de alguma forma, funcionar. Compreender todas as mudanças e aderir às tecnologias recentes, no entanto, não significa apenas seguir tendências do momento. Entrar na era digital é decisivo para estar preparado para o futuro e garantir longevidade ao negócio.

*Presidente da CDL Porto Alegre