Análise comparativa da dívida total do Brasil

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JUNHO, 2020

Notícias

Antes mesmo do surto global da COVID-19, diversos organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, manifestaram preocupação com a trajetória de alta do endividamento mundial. Números mais elevados, por exemplo, indicam fontes de vulnerabilidade econômica, cujas implicações podem comprometer o crescimento dos países no futuro.

Agora, diante de uma conjuntura marcada pela fortíssima queda na renda, os agentes têm apelado à contratação de empréstimos. O objetivo é manter, ao menos em parte, o bem-estar relacionado ao consumo de bens e serviços e a atividade dos negócios (folha de pagamentos, investimentos, capital de giro, etc.).

Para se ter uma ideia mais acurada a respeito do tema, recorremos aos dados que contemplam não apenas os débitos do Setor Público, mas que abarcam também a evolução das obrigações financeiras contraídas pelas famílias e pelas empresas. Nossa dívida total (excluindo o setor bancário) somou 157,5% do PIB em 2018, de acordo com o FMI. Esse valor, apesar de superar outros emergentes, como a Índia (124,6%), Colômbia (114,4%), Indonésia (70,3%) e Rússia (78,0%), é inferior ao de nações comparáveis do ponto de vista do estágio de desenvolvimento, como a China (258,4%), Chile (169,9%) e Tailândia (160,4%).

O grande problema está na parcela atribuída à União, estados e municípios que, no Brasil, responde por 55,2% do todo, somente atrás do Japão (59,6%). O ordenamento do gráfico abaixo segue essa razão, da maior para a menor.

Segundo o Instituto Fiscal Independente (IFI), é fundamental para o Brasil continuar na promoção do ajuste das contas governamentais quando a crise sanitária estiver equacionada. Além disso, deve-se substituir a dívida pública pela privada. Entendemos que uma das alternativas possíveis é o aprimoramento do mercado de capitais, com o intuito de criar novas formas de obtenção de recursos, estimulando a concorrência entre os ofertantes para baratear o custo do dinheiro ao longo do tempo.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

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