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Cenário internacional em foco: Estados Unidos

09

AGOSTO, 2019

Notícias

No mesmo dia em que o Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros (SELIC) de 6,50% ao ano para 6,00% ao ano, a autoridade monetária dos Estados Unidos (Federal Reserve) seguiu o mesmo movimento, embora sem repetir a magnitude. Como resultado, os juros americanos de curto prazo (fed funds) caíram pela primeira vez desde 2008, da faixa de 2,25% a 2,50% ao ano, para 2,00% a 2,25% ao ano.

O FED citou duas justificativas para tanto: (i) as preocupações envolvendo os impactos contracionistas sobre a atividade econômica do País decorrentes da guerra comercial com a China; e (ii) pressões inflacionárias baixas, que vêm se distanciando para baixo em relação à meta, de aproximadamente 2,00%.

A decisão já era esperada, mas o que mais chamou a atenção foi o anúncio de encerramento do chamado “Quantitative Tightening” (QT) dois meses antes do previsto. Para entender o seu significado, é necessário voltar no tempo, mais especificamente para a década passada. Após a crise financeira internacional de 2008, cujo epicentro foi o mercado imobiliário americano, o FED não só reduziu as taxas básicas de juros para níveis próximos a zero, como também injetou liquidez (dinheiro) nos mercados, visando a aquisição de dívidas públicas e privadas. O gráfico abaixo mostra que isso aconteceu em rodadas, no período entre 2008 e 2014.

Desde 2018, no entanto, esses recursos vinham sendo gradativamente retirados dos mercados, uma vez que a atividade econômica do País já vinha respondendo adequadamente. Só que os temores recentes de uma desaceleração mais significativa do crescimento fizeram a autoridade monetária interromper o processo de QT. Hoje, a liquidez segue bem acima da verificada antes de 2008, o que beneficia especialmente os países emergentes, como o Brasil. Esse capital busca oportunidades de ganhos mais elevados em outras nações, como o Brasil. Logo, ganhamos mais uma janela favorável para a implementação de reformas.

Ademais, nessa semana, a guerra comercial entre Estados Unidos e China sofreu uma nova escalada. Após o presidente americano, Donald Trump, ter determinado uma alíquota de 10% do imposto de importação sobre produtos chineses equivalentes a US$ 300 bilhões, o governo do país asiático retaliou tal medida. Para tanto, desvalorizou artificialmente a cotação do Yuan, com o intuito de tornar seus produtos mais competitivos no mercado global – quanto mais depreciada a moeda, maior a margem existente para a negociação dos preços dos bens e serviços, de modo que a rentabilidade da venda em moeda doméstica se mantenha atrativa.

Essas medidas derrubaram as bolsas de valores de todo o mundo na segunda-feira, dia 05, e podem representar riscos mais concretos de uma desaceleração mais forte da economia global: seja, por um lado, através do enfraquecimento do comércio; seja, por outro, do aumento da incerteza, o que implica na piora das condições financeiras dos mercados.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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