Cenários 2019 indica perspectiva otimista de empresários e especialistas em relação ao futuro

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NOVEMBRO, 2018

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Promovido pela CDL POA, evento realizado na tarde desta quarta-feira (21/11) apresentou as tendências da economia, da política e dos negócios para os próximos anos.

As eleições terminaram e, agora, chegou o momento de encarar, de fato, o futuro. Afinal, o que os próximos anos reservam para o Rio Grande do Sul e para o Brasil em termos de economia, política e negócios? Foi com essa pergunta norteadora que a CDL Porto Alegre promoveu, na tarde desta quarta-feira (21/11), o Cenários 2019, que reuniu como palestrantes o economista Aod Cunha, o jornalista e colunista da Veja.com Augusto Nunes e três empresários gaúchos de sucesso: a superintendente do Grupo Lins Ferrão, Carmen Ferrão; o presidente da Calçados Beira Rio, Roberto Argenta; e o sócio-diretor das Lojas Monjuá, Jorge Bender.

Durante a tarde dedicada à reflexão sobre as perspectivas de futuro, os painelistas apresentaram as suas projeções para o Estado, para o País e para os seus negócios a partir de 1° de janeiro de 2019, quando tomam posse os eleitos no pleito de outubro. Presidente da CDL Porto Alegre, Alcides Debus, deu as boas-vindas, abriu o evento agradecendo a participação dos presentes, em especial dos palestrantes, e ressaltando a importância de se debater as tendências de futuro: “Como empresários, dependemos de uma leitura adequada do ambiente de negócios para tomarmos boas decisões, porque delas também depende o sucesso de muitas pessoas”.

O primeiro a falar sobre os cenários para o próximo ano foi o economista Aod Cunha, que apontou a reforma da previdência como a chave para o Brasil alcançar um crescimento econômico sustentável. Segundo ele, há um ciclo mundial de crescimento com potencial para ser aproveitado – desde que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, consiga aprovar, no primeiro ano de mandato, uma boa reforma do setor. “Do conjunto de reformas que vão em uma direção correta, a principal, que responderá pelas chances de sucesso do novo governo e do País, é a reforma da previdência”, destacou, enfatizando que os parâmetros estabelecidos pela reforma, a serem aprovados pelo Congresso, serão decisivos para os rumos da economia. Na análise de Cunha, em um segundo momento, o foco deve ser direcionado para o aumento da produtividade. “É a agenda das próximas décadas, após a reforma da previdência”, frisou.

Secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul no governo Yeda Crusius, o economista também abordou a grave crise fiscal que atinge os estados. O caminho para solucionar o problema, segundo ele, passa pela revisão da Lei de Responsabilidade Fiscal por meio de um pacto entre os governadores e o presidente eleito: “Vai precisar de um redesenho da lei, com alguma contrapartida do governo federal para estados que se comprometam em seguir um caminho de ajuste fiscal”.

Colunista da Veja.com, Augusto Nunes foi o segundo palestrante da tarde. Ele abriu a conversa dizendo que, quando ouviu um “esboço de cogitação” de seu nome para integrar o governo Bolsonaro, logo veio a público dizer que não tem interesse em aceitar qualquer tipo de convite. “Sou um jornalista independente. Tenho que me sentir à vontade para fazer críticas quando eu acho errado”, sustentou. Ao analisar o cenário político brasileiro, Nunes manifestou aprovação à indicação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, assumindo, inclusive, que cometeu um erro em seus primeiros comentários sobre o tema. “Errei ao dizer que ele deveria ficar como juiz federal, logo me convenci que ele fez muito bem em aceitar o convite. Fiquei bem entusiasmado ao saber que uma das prioridades dele como ministro é o combate ao crime organizado”, afirmou. Em sua fala mais polêmica, o jornalista disse que o presidente eleito não está preparado para o cargo, assim como nenhum de seus antecessores estava. “O Brasil já foi governado por analfabetos funcionais, por uma cabeça baldia como a Dilma Rousseff… Aí, vem falar que o Bolsonaro não está preparado para ser presidente? Não está mesmo, até porque não tem cursinho para isso”, pontuou.

Na segunda parte do Cenários 2019, após um breve coffee break, subiram ao palco três empresários gaúchos de sucesso. Superintendente do Grupo Lins Ferrão, Carmen Ferrão abriu a parte final do evento lembrando que, há 30 anos, quando ingressou na empresa, a inflação galopava. Hoje, os desafios são outros: o grupo completa 65 anos no dia 1° de dezembro e, para 2019, projeta a ampliação do alcance nacional da marca. “Hoje não tem mais a necessidade de termos toda esta estrutura da loja física em qualquer lugar do Brasil. Podemos chegar com a nossa marca virtual”, afirmou. Roberto Argenta, presidente da Calçados Beira Rio, falou na sequência. Ele apresentou três propostas que, segundo ele, seriam capazes de gerar 12 milhões de empregos no Brasil. “Menos Brasília e mais Brasil”, resumiu o empresário durante a palestra. Para fechar o evento, o sócio-diretor das Lojas Monjuá, Jorge Bender, corroborou o que já tinha sido falado na abertura pelo economista Aod Cunha. “Hoje temos a maior das oportunidades para fazer as reformas que são necessárias. Existe um consenso da sociedade e do novo governo que está assumindo. E existe uma maioria no congresso para apoiar essas medidas”, destacou.

Presidente da CDL Porto Alegre, Alcides Debus encerrou o Cenários 2019 com otimismo, afirmando que o conteúdo abordado foi o combustível necessário para gerar novos negócios, inovar e tornar o varejo mais forte.