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FEVEREIRO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Arrecadação de ICMS em 2018 bate recorde no Rio Grande do Sul

As variações do ICMS estão diretamente associadas à força do nível de atividade formal de uma determinada região. Quanto maior o volume de transações de bens e serviços, maior tende a ser o recolhimento de impostos resultante desse intercâmbio, e vice-versa.

A arrecadação de ICMS foi de R$ 486,6 bilhões no Brasil em 2018. Apesar do crescimento de 3,8% em termos reais (já descontando a inflação) em relação a 2017, a distância em relação ao pico alcançado em 2013, antes do início da crise econômica, ainda é de 3,76%. No caso do Rio Grande do Sul, a elevação do ICMS foi um pouco maior: +5,1%, o que renovou o recorde anterior, de 2017, totalizando R$ 35,3 bilhões. De uma maneira geral, os resultados corroboram com a lentidão da retomada econômica no período pós-recessão.

A abertura das informações mostra que o recolhimento de ICMS por parte do comércio do Brasil (+4,0%) e do Rio Grande do Sul (4,1%) teve desempenho semelhante no ano passado. Em ambos os casos, o principal destaque foi o comércio varejista: +6,1% e +5,5%, respectivamente.

A melhora esperada na atividade econômica em 2019 deve favorecer a arrecadação de ICMS, uma vez que o recolhimento de impostos é pró-cíclico: cresce quando o PIB se expande, e se retrai quando o PIB encolhe.

 

  • COPOM mantém a Taxa SELIC em 6,5% ao ano

Pelo lado dos preços, o balanço de riscos da inflação continuou melhorando desde o encontro realizado nos dias 11 e 12 de dezembro de 2018: as últimas leituras do IPCA apontam para os menores valores já registrados desde a criação do Plano Real, enquanto as expectativas para 2019 desaceleraram novamente.

No que tange à atividade econômica, os indicadores mais recentes corroboram com a retomada lenta e gradual verificada no período pós-crise. Mesmo que a aceleração esperada do PIB venha a se materializar, existe grande capacidade ociosa no mercado de trabalho e do maquinário instalado nas empresas.

Por sua vez, o cenário internacional foi o grande destaque dos últimos 45 dias, a partir da reorientação da política monetária americana, que deve ser mais paciente na promoção de novos aumentos de juros e na retirada dos estímulos adotados no pós-crise financeira de 2007/2008. Esse novo balizamento sinalizado pelos membros do Federal Reserve abre espaço para a manutenção de juros baixos para os padrões brasileiros por um período de tempo mais longo do que o previsto anteriormente. Essa conjuntura fez com que o Banco Central optasse pela manutenção da Taxa SELIC em 6,5% ao ano.

 

  • IPCA fecha janeiro em 0,32% segunda menor variação já registrada para o primeiro mês do ano desde 1995

O indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve crescimento de 0,32% em janeiro. Trata-se da segunda menor variação já registrada para o primeiro mês do ano desde 1995, após a criação do Plano Real. O resultado também veio abaixo do consenso de mercado do Relatório FOCUS, do Banco Central, que acusava elevação de 0,38%, e da estimativa da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre (+0,39%).

O quadro inflacionário do Brasil permanece bastante confortável. As pressões de demanda seguem arrefecidas, em função da lenta retomada da economia no período pós-crise de 2015/2016. Além disso, choques negativos sobre os preços da energia elétrica e dos combustíveis se dissiparam ao longo dos últimos meses, fazendo com que a dinâmica desses componentes se tornasse mais benigna. Da mesma forma, a taxa de câmbio apresentou valorização após o período eleitoral, a partir das perspectivas positivas relacionadas à economia brasileira no futuro. O cenário internacional também ajudou, a partir da redefinição dos próximos passos da política monetária dos EUA, ainda que alguns riscos estejam presentes. Vale lembrar que o fortalecimento do Real ajuda a baratear os importados, auxiliando no controle do nível geral de preços.

As últimas expectativas de mercado contidas no Relatório FOCUS, do Banco Central, mostram que o IPCA deve encerrar 2019 em 3,94%, abaixo do centro da meta, de 4,25%. Já entre as 5 instituições com maior assertividade nas previsões, a previsão é ainda menor: +3,60%.

 

  • Principal destaque do último Relatório FOCUS foi o corte da expectativa para o IPCA em 2019: de 3,94% na semana passada para 3,87%

A revisão foi determinada pela divulgação da leitura oficial de janeiro (+0,32%) na última sexta-feira, pelo IBGE, cujo valor veio abaixo do esperado pelo mercado (+0,38%).

Como as projeções envolvendo o índice oficial de inflação do Brasil estão se distanciando do centro da meta definida para esse ano, de 4,25%, abre-se espaço para que aumentos de juros ocorram somente em 2020

De uma maneira geral, os analistas consultados pelo Relatório FOCUS esperam que o PIB venha a se acelerar em 2019, saindo de 1,25% no ano passado para 2,50%, como resposta ao (1) aumento da confiança de diversos setores após o encerramento do processo eleitoral de outubro de 2018; e (2) do impacto positivo oriundo da aprovação de reformas estruturais no Congresso Nacional.

A taxa de câmbio deve permanecer relativamente estável, apesar do recrudescimento de alguns riscos internacionais. Todavia, a melhora esperada do quadro doméstico deve atuar para favorecer a entrada de capital do exterior, contrabalançando os fatores estrangeiros. Por sua vez, o ajuste fiscal continuará em ritmo lento segundo as projeções de mercado.