Coronavírus: qual o impacto estimado para a economia segundo a OCDE?

06

MARÇO, 2020

Notícias

A OCDE divulgou recentemente a atualização das previsões referentes ao Produto Interno Bruno mundial e de uma série de países para 2020 e 2021. Diante do surto de coronavírus, a Organização corrigiu praticamente todos os números para baixo, sinalizando que esse será o ano de menor crescimento desde a crise financeira internacional, cujos impactos foram mais sentidos em 2009.

No cenário em que a epidemia atinja seu ápice na China no primeiro trimestre, e na qual sua disseminação para outras localidades seja suave, a quantidade de bens e serviços finais em escala global deverá desacelerar de +2,9% para +2,4% em 2020. Todavia, se as contaminações se tornarem cada vez mais frequentes em regiões como a Ásia, Europa e América do Norte, as perspectivas pioram consideravelmente, caindo para metade da variação até então considerada: de +2,9% para +1,4%.

As revisões mais significativas ocorreram na China (de +5,7% para +4,9%) e na Índia (+6,2% para +5,1%). Vale lembrar que para 17 nações das quais foram realizadas estimativas, em apenas duas não houve cortes: Brasil (+1,7%) e Arábia Saudita (+1,4%). No nosso caso, a Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre acredita que a projeção mais baixa da OCDE frente a diversos institutos de análise ajudou nessa manutenção.

Para 2021, o efeito da menor base de comparação herdada de 2020 determinou retificações de alta na maioria das situações. Para fins de exemplificação, o PIB mundial para o ano que vem passou de +3,0% para +3,3%. As estatísticas completas podem ser visualizadas na tabela abaixo.

As medidas de restrição ao fluxo de pessoas, incluindo as quarentenas, e a limitação do turismo já implicam na perda de dinamismo da atividade econômica. Além da queda da confiança dos agentes e dos mercados financeiros, o prejuízo se estende às cadeias de produção de diversos setores, como equipamentos eletroeletrônicos, transportes e vestuário, das quais a China exerce papel relevante.

Diversos bancos centrais (Estados Unidos, Indonésia, Filipinas, e da própria China) já reduziram a taxa básica de juros a fim de evitar uma parada brusca. Ademais, pacotes de estímulo fiscal foram anunciados pelos governos da Itália e da Alemanha. A rápida resposta por parte das autoridades no que tange à utilização desses instrumentos precisa ser comemorada.

No entanto, os danos dessa conjuntura já podem ser sentidos também no Brasil, a partir da desvalorização da Bolsa de Valores de São Paulo, do desabastecimento de alguns insumos e do encarecimento dos produtos vindos do exterior. Em função da recuperação letárgica do PIB no pós-crise e do ritmo ainda insatisfatório do consumo das famílias, os empresários precisarão comprimir ainda mais as margens de lucro para manter um nível minimamente adequado de vendas. Em algumas circunstâncias, porém, certos negócios podem ser inviabilizados.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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