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Quais são os determinantes das vendas do varejo – Parte 1

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AGOSTO, 2018

Notícias

O setor terciário tem grande representatividade no PIB do Rio Grande do Sul (aproximadamente R$ 2,00 em cada R$ 3,00 gerados pela economia do Estado estão atrelados aos serviços e comércio, de acordo com a Secretaria de Planejamento do RS e a FIPE). Se considerarmos somente o segundo, incluindo tanto atacado quanto varejo, chegaremos a cerca de 15% do conjunto de todas as riquezas produzidas pelos gaúchos. Esse, portanto, é um segmento relevante para explicar a dinâmica econômica do nosso Estado.

Apesar da heterogeneidade das atividades econômicas que compõem o comércio, e das idiossincrasias relativas a cada um desses ramos, existem três variáveis essenciais para ajudar a explicar não somente sua situação atual, como também as perspectivas com relação ao futuro. Ao longo dos próximos artigos, discutiremos cada um desses elementos.

Primeiro fator: a renda real

A renda é fundamental para explicar a desempenho do consumo: quanto maior a primeira, maior tende a ser a segunda. O termo “real” já desconta o efeito do aumento dos salários decorrente da inflação, o que significa que somente uma elevação dos rendimentos acima dos outros preços ajuda a dinamizar a atividade econômica. Por exemplo: se o salário dos trabalhadores cresce 2% e a inflação, 3%, em um determinado período, a perda real de 1% é ruim para o comércio, uma vez que o poder de compra global diminuiu.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE, mostram que o rendimento médio real – já descontando a inflação – dos trabalhadores da Região Metropolitana de Porto Alegre é bem maior do que a do Rio Grande do Sul como um todo (R$ 3.637 contra R$ 2.290, conforme a estatística mais recente, dos três primeiros meses de 2018). No entanto, a evolução da primeira ao longo dos últimos seis anos foi menos favorável que a média geral do Estado: incremento de apenas 3,9% contra 6,2% entre o primeiro trimestre de 2012 e o primeiro trimestre de 2018. Vale notar também que, ao longo dos últimos meses, os rendimentos reais no RS permaneceram praticamente estáveis, enquanto que os da RM de POA cresceram de forma lenta.

 

Rendimento real médio dos trabalhadores da Região Metropolitana de Porto Alegre e do total do Rio Grande do Sul –
Em R$ deflacionados pelo IPCA:

Fonte: IBGE/PNAD Contínua

 

Continue lendo esta análise nos próximos posts:
Quais são os determinantes das vendas do varejo – Parte 2
Quais são os determinantes das vendas do varejo – Parte 3

 

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA