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03

JUNHO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Expectativas para o PIB do Brasil em 2019 são cortadas pela décima quarta semana consecutiva

Pela décima quarta semana consecutiva as expectativas para o PIB nacional em 2019 caíram. Agora, os analistas esperam alta de +1,13%, abaixo do consenso de mercado do dia 24/05 (+1,23%). Essa atualização renova, uma vez mais, o menor valor de toda a série histórica, iniciada no dia 04 de janeiro de 2016. Caso venha a se confirmar, o Brasil ainda estaria 3,5% abaixo do nível de atividade registrado em seu pico pré-crise, no ano de 2014.

Quando abertas por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as últimas estatísticas apontam que o processo de aceleração da renda será ainda mais gradual ao longo de 2019 em relação ao antecipado na semana passada: de +1,10% para +1,00% no segundo, de +1,40% para +1,30% no terceiro, e de +1,90% para +1,75% no quarto. Para 2020, as previsões se mantiveram estáveis em +2,50%.

Na abertura pela ótica da oferta, o setor terciário, que inclui o comércio (atacado e varejo), deverá registrar o maior incremento entre todos: agropecuária (+1,01%), indústria (+0,98%) e serviços (+1,53%).

A explicação desse fenômeno passa pelos vetores que ajudam no desenvolvimento do consumo das famílias, incluindo os ganhos reais da massa de salários, juros baixos, inflação sob controle e a retomada gradual do mercado de crédito. Por sua vez, a indústria segue com o desempenho prejudicado pela recessão na Construção civil, pela dinâmica negativa da Extração mineral, em função da tragédia em Brumadinho e pela crise na Argentina, que reduz o apetite pelos produtos da Transformação. Já a previsão para a Agropecuária está um pouco abaixo da alta aguardada para a produtividade da safra de grãos 2018/2019: +2,1%, segundo a CONAB.

A justificativa dos recentes cortes nas perspectivas para o PIB de 2019 está calcada na divulgação do dado oficial do primeiro trimestre, pelo IBGE. De acordo com o Instituto, a atividade econômica avançou +0,46% em relação ao mesmo período de 2018, enquanto que o número esperado pelo Relatório FOCUS era de +0,54%.

 

  • CAGED em abril/19 – o desempenho do mercado de trabalho formal no RS

Visão geral: O Rio Grande do Sul destruiu, em termos líquidos, 2.498 vagas em abril de 2019, o que representa uma piora ante o mesmo mês de 2018 (-994). Essa deterioração se deveu tanto à agropecuária (de -3.255 para -4.005) quanto à indústria (de +2.652 para +736), e só não foi ainda mais relevante por conta dos serviços (de -391 para +771). Foi o quinto ano seguido em que o período teve mais demissões do que contrações formais no estado: entre 2007 e 2014, os valores foram todos positivos.

Especificamente sobre o varejo, houve a criação de +1.022 postos, superando abril de 2018 (-498). Entre as subcategorias que geraram a maior contribuição positiva estão: produtos farmacêuticos para uso humano e veterinário (+447), mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, hipermercados e supermercados (+322), e mercadorias e geral, sem predominância de produtos alimentícios (+161). Já móveis, colchoaria e artigos de iluminação (-83), calçados e artigos de viagem (-32) e bebidas (-29) exerceram as maiores influência negativas.

Especificamente sobre a geração de empregos formais no varejo gaúcho, abril de 2019 (+1.022) apresentou o melhor resultado para o mês desde 2014 (+1.745). Como o setor é intensivo em mão de obra, o CAGED é um importante termômetro do segmento, cuja sinalização aponta para um processo de retomada lento da categoria.

 

  • Análise do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil – 1º Trimestre de 2019

Visão geral: o PIB do Brasil caiu 0,2% no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o último trimestre de 2018, na série com ajuste sazonal, de acordo com o IBGE. Foi a primeira retração nessa base de comparação após 8 trimestres (7 deles com aumentos e 1 com estabilidade). Consequentemente, a última medição do nível de atividade nacional está no mesmo patamar dos três meses iniciais de 2012, ou seja, são 7 anos de estagnação. Ademais, a renda está 5,3% abaixo do pico atingido entre janeiro e março de 2014.

No comparativo com o primeiro trimestre de 2018, o PIB cresceu +0,5%, valor levemente inferior em relação à mediana das previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central (+0,6%). No acumulado em quatro trimestre, o avanço é tímido, de apenas +0,9%.

Pela ótica da oferta, a Indústria teve o desempenho afetado negativamente, entre outras razões, pela (1) continuidade da recessão na Construção civil, e (2) aos efeitos da tragédia de Brumadinho, que comprometeram o resultado da Extração mineral. Por sua vez, a Agropecuária sofreu com a queda na produção de arroz, soja e tabaco, contrabalançada pela expansão do milho e das carnes. Já Serviços e Comércio continuaram respondendo à dinâmica lenta do consumo das famílias no período.

A análise dos demais componentes pela ótica da demanda mostra que o consumo do governo seguiu próximo à estabilidade, dada a vigência do teto dos gastos do governo federal, enquanto que a formação bruta de capital fixo permaneceu em níveis muito baixos, comprometendo o processo de recuperação da economia. Além da grande ociosidade existente no parque industrial, o desempenho letárgico dos investimentos pode ser parcialmente explicado pela reversão dos ganhos dos índices de confiança dos empresários, sobretudo a partir de fevereiro. Por fim, o setor externo foi afetado pelo arrefecimento da demanda externa global e pelo agravamento da crise na Argentina.