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04

DEZEMBRO, 2019

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: perspectiva de aceleração da retomada econômica no ano que vem, de modo que o crescimento projetado da atividade passará de +0,99% em 2019 para +2,22% em 2020 (valor mais alto já antevisto desde 07 de junho).

Fatores positivos no cenário prospectivo para 2020:

  • Juros baixos para padrões brasileiros;
  • Inflação sob controle, inferior à meta prevista de +4,00%;
  • Retomada do crédito, sobretudo das operações voltadas para pessoas físicas;
  • Impacto da injeção de recursos via liberação do FGTS (Saque Imediato e Saque Aniversário) sobre o balanço financeiro das famílias;
  • Efeitos defasados das reformas aprovadas ao longo dos últimos três anos.

Fatores negativos no cenário prospectivo para 2020:

  • Grande desequilíbrio fiscal na União e em vários estados;
  • Taxa de desemprego ainda elevada;
  • Nível de investimentos deprimido;
  • Turbulências no cenário internacional (guerra comercial entre Estados Unidos e China, Brexit, conflitos geopolíticos e seus impactos sobre commodities, e incerteza com as eleições americanas).

A partir da divulgação do PIB do terceiro trimestre – avanço de +0,6% sobre o segundo, na série com ajuste sazonal, de acordo com o IBGE – cremos que as estimativas para 2019 e 2020 serão revisadas para cima nas próximas semanas.

Inflação e Taxa SELIC: a inflação bem controlada se deve à lenta recuperação do PIB brasileiro em 2019, aliada à grande capacidade ociosa (tanto de mão de obra quanto do maquinário instalado nas indústrias) herdada da grande recessão de 2015/2016, além da ausência de choques negativos relevantes sobre os preços dos alimentos e das commodities ao longo do presente ano. Por sua vez, o impacto da recente desvalorização da taxa de câmbio sobre o IPCA deve ser pequeno, em função da lenta dinâmica da atividade econômica.

Diante do quadro benigno dos preços, o Banco Central optará pela manutenção de uma política monetária expansionista, ao manter os juros em patamares diminutos em 2020. Como resultado, o custo do crédito para consumo, investimentos produtivos e endividamento do governo se torna menor. A migração da renda fixa para alocações que envolvam risco também ajuda a economia real, através da geração de emprego e renda. Outra consequência diz respeito à taxa de câmbio mais desvalorizada, o que beneficia os exportadores e eleva os custos dos importadores.

Taxa de câmbio: o valor do Dólar em relação ao Real ganhou novo fôlego após declaração do Ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o Brasil vai “ter de se acostumar” com uma situação onde a cotação da moeda americana é mais alta e a Taxa SELIC é baixa. Essa sinalização fez com que o mercado testasse novos limites para a moeda americana. Em algumas oportunidades, o Banco Central interveio, inclusive no mercado à vista. As recentes flutuações também responderam aos desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Se, por um lado, o Dólar é um porto seguro para o investidor em momentos de maior turbulência, a continuidade da agenda de reformas atuará para mitigar esse efeito, auxiliando na atração de capitais.

Política fiscal: sobre o ajuste fiscal, o Relatório PRISMA mostrou que a estimativa para o resultado primário (diferença entre arrecadação de impostos e despesas, excetuado o pagamento de juros da dívida) apresentou melhora para 2019, mas piora para 2020. No presente ano, o déficit passou de R$ -99,2 bilhões em outubro para R$ -87,5 bilhões em novembro. Já para o ano que vem, foi de R$ -75,0 bilhões para R$ -82,7 bilhões. Logo, a busca pelo equilíbrio das contas públicas deve prosseguir em ritmo lento, pressionando, assim, a dívida bruta e impedindo um corte mais agressivo dos juros.

 

Análise dos resultados do CAGED de outubro

Comentários gerais para o Rio Grande do Sul:

O Rio Grande do Sul criou, em termos líquidos, 8.319 vagas em outubro de 2019, cifra inferior à registrada em igual período do ano passado (+9.607). Trata-se de uma queda no período de -13,4%. Todavia, para tornar a análise mais fidedigna à realidade, é necessário levar em consideração as diferenças existentes de calendário. Em outubro de 2019, por exemplo, houve 23 dias úteis, ou seja, 1 a mais frente ao mesmo mês de 2018. Logo, a quantidade média de vagas criadas por dia útil foi de 436,7 e 361,7, respectivamente, ou seja, uma retração ainda maior (-17,3%) em relação à variação não ajustada.

A desagregação dos dados por setor mostra que o principal responsável por essa desaceleração foram “outros serviços” (de +3.249 para +1.519). Por sua vez, a indústria gerou um patamar levemente menor de postos de trabalho com carteira assinada (de +1.093 para +974), enquanto a agropecuária foi o único entre os três grandes segmentos em que houve aumento no ritmo de contratações (de +832 para +1.319). Em termos absolutos, o comércio foi o grande destaque (+4.507) em outubro. Acreditamos que a liberação parcial dos saques das contas ativas e inativas do FGTS atuou para sustentar, ao menos em parte, a mesma dinâmica exibida no ano passado. Especificamente para o comércio varejista, houve estabilidade na geração de empregos celetistas (+2.941 contra +2.926).

No acumulado nos últimos 12 meses até outubro, foram criados 14.312 postos de trabalho celetistas ao todo no Rio Grande do Sul. Esse patamar é condizente com uma baixa taxa de crescimento da economia, embora a atividade no primeiro semestre tenha se expandido de maneira consistente no RS, bem acima da média nacional.

Essa dicotomia entre mercado de trabalho e atividade pode ser explicada, em primeiro lugar, pelas características dos ramos que puxaram o crescimento do RS para cima nos últimos meses. A estiagem de 2018, por um lado, deixou uma pequena base de comparação. Por outro lado, o setor industrial se beneficiou da forte incremento na produção de veículos, por conta dos tipos de modelo fabricados na GM, em Gravataí, que apresentam demanda para uso em aplicativos de transporte, além da venda direta para locadoras. Em ambos os casos, os ramos não são intensivos em mão de obra, mas sim em capital.

Em segundo lugar, diante das transformações cada vez mais profundas do ponto de vista tecnológico, muitos empresários têm focado no processo de digitalização/robotização, utilizando dispositivos poupadores de trabalho para aumentar sua competitividade. Os terminais de autoatendimento e o desenvolvimento de sistemas de gestão mais eficientes são alguns dos exemplos, resultando em queda da procura por trabalhadores. Soma-se a isso as transformações demográficas cada vez mais acentuadas, que diminuem as taxas de crescimento dos entrantes no mercado.