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05

MAI, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

As previsões para o PIB do Brasil em 2020 se deterioraram outra vez ao longo dos últimos sete dias (de -3,34% para -3,76%). Por sua vez, a variação antevista para 2021 melhorou de +3,00% para +3,20%, fruto do encolhimento da base de comparação. Vale destacar, no entanto, que o movimento de correção dos números para 2020 (de +2,30%, no início do ano, para -3,76% agora) é muito mais significativo do que aquele ocorrido para 2021 em igual janela de tempo (+2,50% para +3,20%). Os analistas de mercado, portanto, esperam que a recuperação seja lenta e gradual, de modo que as perdas relativas ao presente ano não serão devolvidas no ano que vem.

A Instituição Fiscal Independente (IFI) expôs, em seu Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de abril, uma tabela com a estimativa dos impactos do distanciamento social sobre o PIB do Brasil, referenciada por estudos recentes da OCDE. Os cenários são concebidos a partir das diferentes combinações entre dois elementos: a magnitude da redução da atividade econômica e a duração das medidas que restringem a abertura dos estabelecimentos e o livre fluxo de pessoas. De acordo com a matriz abaixo, por exemplo, se o alcance de paralisação da produção atingir 50% durante quatro semanas, o efeito sobre o PIB é de -1,0 ponto percentual, conforme o destaque em negrito. Como o valor dos bens e serviços em 2019 totalizou R$ 7,3 trilhões, seriam R$ 73 bilhões a menos em circulação. Se o grau de imobilidade da economia se mantém, e sua extensão passa para oito semanas, são menos 2 pontos percentuais no PIB.

Em linha com a recessão no Brasil e no mundo, que também atua para conservar os preços das commodities e dos manufaturados em baixa, as expectativas para o IPCA caíram tanto para 2020 (de +2,20% para +1,97%) quanto 2021 (de +3,40% para +3,30%). Cremos que a leitura do IPCA-15 de abril (deflação de -0,01%, o menor nível no período na história do Plano Real) contribuiu para essa dinâmica.

Essa semana será marcada pela definição da nova Taxa SELIC. Desde 18 de março, data do último encontro do COPOM, o panorama para a inflação em 2020 e 2021 se tornou ainda mais benigno, afastando-se das respectivas metas de +4,00% e +3,75%. Ademais, estatísticas, que já capturaram o choque contracionista em curso, recuaram fortemente, incluindo as vendas do comércio ampliado (Índice Cielo), a confiança dos consumidores e dos empreendedores, o emplacamento de veículos, entre outras. Consequentemente, apesar da sinalização contrária pontuada em ata, o ciclo de queda dos juros básicos da economia continuará.

O Índice de Incerteza da FGV subiu novamente em abril (43,3 pontos frente a março, na série com ajuste sazonal). Esse incremento se sucede à elevação de 52,0 pontos registrada no mês anterior. A ausência de uma visão mais clara sobre os desdobramentos da COVID-19 para o futuro do sistema de saúde e, por conseguinte, para a trajetória da retomada são alguns dos componentes que ajudam a explicar o cenário.

Segundo os cálculos do IFI, o déficit primário em 2020 deverá somar 9,8% do PIB, ou seja, um rombo ainda maior do que o apresentado Relatório FOCUS (-7,2% do PIB). Dos 9,8%, 6,2% (ou R$ 454,4 bilhões) vêm das políticas de aumento de gasto para tentar amenizar a crise, sendo: R$ 209,5 bilhões para os trabalhadores, R$ 116,5 bilhões de socorro aos estados e municípios, R$ 101,3 bilhões para as empresas e R$ 27,1 bilhões para a saúde. O restante (R$ 267 bilhões) diz respeito a outros fatores, como o resultado negativo que já seria arcado sem a atual turbulência, de R$ 124,1 bilhões para a União, além da natural diminuição da arrecadação, decorrente do comportamento da atividade econômica.

 

Análise dos pedidos de Seguro Desemprego na primeira quinzena de abril

Considerações iniciais:

As medidas de distanciamento social, adotadas com o objetivo de atenuar o alastramento da COVID-19 no Brasil, restringiram as informações existentes sobre o mercado de trabalho. Nesse sentido, aumenta a importância do levantamento da Base de Gestão do Seguro Desemprego, como forma de avaliar o impacto da atual crise sobre a ocupação de mão de obra no curto prazo.

De uma maneira geral, os pedidos do benefício na primeira quinzena de abril mostraram elevação frente à segunda metade de março em quase todos os recortes disponíveis. Nesse ínterim, por exemplo, as requisições tiveram alta de +13,8% no território nacional, enquanto no Rio Grande do Sul o avanço foi de +13,4%. Por outro lado, ante igual período de 2019, todas as Unidades da Federação exibiram uma queda, conforme o detalhamento apontado na tabela abaixo. 

Comentários: é necessário notar que muitas firmas decidiram conceder férias coletivas para seu quadro de colaboradores no início da paralisação das atividades. Além disso, a partir de abril, diversas políticas foram anunciadas, sobretudo no âmbito federal, com o intuito de evitar demissões. Entre as principais estão: o financiamento da folha de pagamentos para quem ganha até 2 Salários Mínimos, a possibilidade de suspensão do contrato / flexibilização da jornada, o diferimento na cobrança de certos impostos, entre outras ações.

Entretanto, segundo reconhecido pelo próprio governo, o fechamento de unidades do Sistema Nacional do Emprego (Sine) trouxe o represamento das solicitações de Seguro Desemprego. A estimativa é de que há até 150 mil requerimentos retidos no acumulado entre primeiro de março a 15 de abril. Com esse componente, é razoável apresentar um novo cálculo, de modo a examinar o cenário com maior assertividade.

Oficialmente, ao longo desses 45 dias, houve uma retração de 7,2% nos pedidos de Seguro-Desemprego. Todavia, se incorporarmos a projeção de 150 mil pessoas que não conseguiram encaminhar seu direito, a variação passa para o campo positivo (+10,1%). Logo, os choques de oferta, de demanda e de expectativas já provocaram efeitos contracionistas sobre o emprego no Brasil.

Impacto sobre a renda: ainda de acordo com o Ministério da Economia, os rendimentos médios dos que possuem com carteira assinada cairão 15% com as convenções de flexibilização do trabalho, uma vez que a reposição dos vencimentos não é integral. Aliada ao tombo da confiança dos consumidores e ao crescimento da seletividade dos bancos na concessão do crédito, a tendência é de que o PIB e as vendas do comércio se mantenham em baixa.