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06

JULHO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

A estimativa de queda do nível de atividade em 2020 passou de -6,54% para -6,50% nos últimos sete dias. Múltiplos indicadores de curto prazo – produção industrial, confiança, geração de empregos com carteira assinada, pedidos de seguro-desemprego e vendas de veículos – sinalizam que o ápice da crise ocorreu em abril. No nosso entendimento, o início da retomada, embora tímida, em alguns setores, associado à “despiora” em outros são fundamentais para explicar a interrupção do processo de deterioração do PIB calculado para o Brasil no presente ano.

Vemos que as políticas governamentais apresentam grande importância para dar sustentação à demanda nesse momento, incluindo as despesas com hospitais de campanha, admissão de pessoal e compra de equipamentos. Soma-se a isso o pagamento do auxílio emergencial à população mais carente, de R$ 600 mensais.

No tocante ao IPCA, o encarecimento dos combustíveis não se materializou no incremento das expectativas de inflação até agora. Além desse, o repasse da desvalorização do Real frente à moeda americana e um problema com geadas representam possíveis vetores de alta dos preços. Ainda assim, isso não deve afetar a estrutura do índice, uma vez que a tendência, aferida pelos núcleos que excluem itens mais voláteis, segue muito bem-comportada. Vale lembrar que a capacidade ociosa já existia antes mesmo da eclosão da pandemia, e que se acentuou mais com a fortíssima recessão.

A hipótese básica, no que se refere à taxa de câmbio, é de manutenção da regra do teto dos gastos públicos. Enquanto (1) o rombo fiscal se aprofundar; (2) os juros permanecerem muito baixos; (3) as incertezas permearem as perspectivas de recuperação da ocupação e da renda; e (4) não houver melhora consistente do quadro sanitário, o Dólar continuará elevado. Na medida em que os choques negativos se dissiparem, provavelmente a cotação registrará apreciação.

Cremos que os ajustes no resultado primário verificados recentemente estão em linha com a (1) prorrogação do coronavoucher; e (2) da extensão, a ser anunciada, do benefício emergencial pertinente à suspensão do contrato de trabalho / redução de jornada.

 

CAGED – maio de 2020

A Secretaria do Trabalho, vinculada ao Ministério da Economia, divulga regularmente as estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Os resultados podem ser vistos como um termômetro do ocupação formal, considerando as admissões e demissões regidas pela CLT.

 

Comentários gerais:

O Brasil registrou 331.901 mil empregos a menos com carteira assinada em maio. Ainda que as perdas tenham arrefecido frente a abril (-902.841), tivemos, novamente, o pior mês de toda a série histórica, iniciada em 2004. Repetiu-se, portanto, o padrão verificado nas duas leituras anteriores, que coincidem com a adoção das medidas de distanciamento social para controlar o avanço da COVID-19.

A abertura dos dados evidencia que o Rio Grande do Sul extinguiu 32.106 vagas, alcançando o quarto lugar no ranking nacional. Todavia, se compararmos os saldos de maio em relação aos respectivos estoques de trabalhadores de abril, nosso estado, proporcionalmente, foi o mais afetado entre todos (-1,31%), bem acima da média, de -0,87%.

Na visão da Assessoria Econômica da CDL POA, esse fenômeno é condizente com a evolução recente da atividade econômica gaúcha. O Índice do Banco Central (IBC), utilizado para aproximar o PIB, mostra que RS apresentou as maiores retrações entre as 13 Unidades da Federação e as cinco regiões investigadas, tanto em março (-6,4%) quanto em abril (-17,1%), ante os mesmos períodos de 2019. Vale lembrar que o ocupação responde com defasagem ao PIB, por conta altos custos de adequação à legislação.

Análise por categorias – Rio Grande do Sul:

A indústria continua sendo a mais atingida pelo atual cenário, que combina os efeitos da interrupção de diversos negócios e a estiagem da safra de grãos. Foram 13.201 demissões líquidas, principalmente em couro e calçados (-5.897) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-1.157).

No tocante aos serviços, o comércio total destruiu 7.834 postos, ou seja, 47,2% do setor terciário. Especificamente sobre o varejo, foram 4.388 vínculos a menos, com destaques para:

  • Artigos de vestuário e acessórios (-806);
  • Combustíveis para veículos (-788);
  • Farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas (-450);
  • Ferragens, madeira e materiais de construção (-351).

O primeiro está atrelado a bens não essenciais para a sobrevivência humana. Por sua vez, a segunda colocação está em linha com o impacto da crise sobre as vendas de gasolina, etanol e óleo diesel (S-500), de acordo com o relatório das Notas Fiscais Eletrônicas da Receita Estadual.