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06

MAIO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Projeções para o PIB do Brasil em 2019 são cortadas pela décima semana consecutiva

As expectativas para o PIB do Brasil em 2019 foram cortadas pela décima semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de +1,49%, bem abaixo do consenso de mercado do dia 26/04 (+1,70%), lembrando que, em 17 de janeiro, as projeções acusavam +2,60%. Essa diferença de 1,11 ponto percentual significa R$ 75,8 bilhões que deixarão de circular na economia nacional. Além disso, acentua ainda mais a distância para a taxa de crescimento esperada para o mundo, de +3,3%, segundo o FMI.

Quando abertas por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as últimas estatísticas apontam que o processo de aceleração da renda será ainda mais gradual ao longo de 2019 em relação ao antecipado na semana passada: de +1,00% para +0,80% no primeiro, de +1,50% para +1,40% no segundo, de +1,91% para +1,66% no terceiro, e +2,30% para +2,20% no quarto. Para 2020, as previsões se mantiveram estáveis em +2,50%.

Conforme a última atualização do Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve recuo de 1,3% na passagem de fevereiro para março, para 116,4 pontos. O objetivo é antever mudanças no ciclo econômico de curto prazo.

O lento avanço das reformas no Congresso, sobretudo a da Previdência, exerce peso considerável para explicar a frustração das expectativas para o PIB de 2019. Muitas famílias, por exemplo, por não entenderem de que forma as novas regras podem impactar em suas vidas, acabam se tornando mais cautelosas em suas decisões de consumo. Outra causa provável diz respeito ao custo de adaptação dos agentes econômicos a um novo modelo de crescimento, que, durante muitos anos, foi liderado pelo Estado. As recentes transformações, como a reforma trabalhista, a reestruturação do papel do BNDES, a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP), a Emenda Constitucional do Teto dos Gastos, a Lei das estatais, entre outras, representam uma quebra de paradigma ante o arcabouço prevalecente até então. Por fim, a desaceleração econômica global também atua para arrefecer o apetite pelas nossas exportações, bem como tende a encarecer a tomada de financiamentos no exterior.

O índice oficial de preços do Brasil, IPCA, encerrará 2019 em +4,04%, ou seja, levemente abaixo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de +4,25%. A aceleração dos preços observada nas últimas semanas foi catapultada por alguns alimentos, como tomate, feijão-carioca e batata-inglesa, além dos combustíveis.

Ainda que em um patamar confortável, o avanço do IPCA acima do antevisto pelo mercado em fevereiro e março reduziu a probabilidade de queda de juros em 2019. Ainda que o COPOM não altere a Taxa SELIC na reunião realizada nessa semana, o nível de preços mais alto implica em recuo da taxa real de juros, e essa é a variável levada em consideração pelos agentes econômicos em suas decisões sobre tomada de crédito para consumo e investimentos. Ou seja, haverá impulso à atividade econômica, mesmo com a permanência da SELIC em 6,5% ao ano.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aumentará a tarifa de importação dos produtos com origem da China. A alíquota passará de 10% para 25% nessa sexta-feira, abrangendo mercadorias equivalentes a US$ 200 bilhões. Bolsas de valores de todo o mundo fecharam o dia em baixa, a partir do temor de que o comércio internacional possa desaquecer em função desse movimento.

 

  • PIB do Rio Grande do Sul – 4º Trimestre de 2018 e fechamento do ano

Visão geral: o PIB do Rio Grande do Sul teve alta de 1,2% em 2018 em relação a 2017, valor marginalmente superior ao registrado pelo Brasil em igual base de comparação (+1,1%). Entretanto, devemos ter cuidado ao compararmos os dados estaduais com as estatísticas nacionais, uma vez que a metodologia adotada pela FIPE, no primeiro caso, difere da assumida pelo IBGE. A abertura pela ótica da oferta mostra que a agropecuária e os serviços puxaram a economia gaúcha para baixo no ano passado, ao caírem -4,2% e -1,0%, respectivamente. Já indústria, construção civil e comércio exibiram taxas de crescimento de, pelo menos, +5,0%, conforme a tabela abaixo. Em suma, a lenta recuperação cíclica da atividade do RS no pós-crise de 2014-2016 continuou em 2018, com desempenho bastante heterogêneo entre os setores.

A FIPE não divulga as notas metodológicas que embasam a estimativa do PIB do RS. O confronto dos números com outras bases de dados oficiais para efeito análise sugere que, em alguns casos, o levantamento realizado pela FIPE não é capaz de refletir, de forma acurada, a verdadeira dinâmica dos setores. Seguem abaixo as considerações para o comércio.

Comércio (+5,6%): de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas (receita após o deflacionamento dos preços) do varejo do RS cresceu +5,3% no conceito restrito e +6,7% no ampliado em 2018. A PMC, no entanto, contempla, em sua maioria esmagadora, apenas os estabelecimentos com 20 ou mais funcionários. Os lojistas de menor porte configuram o grupo que mais vem sofrendo para gerar empregos, segundo o CAGED. Os dados para as CNAE’s 45 (comércio e reparação de veículos e motocicletas), 46 (atacado) e 47 (varejo), segmentados por porte aqui no estado, mostram que os pequenos CNPJ’s continuaram destruindo postos de trabalho em ritmo superior ao de contratações no ano passado.

A única exceção está entre as microlojas com até 4 trabalhadores. O saldo mais forte nessa faixa deve ser inserido dentro do atual contexto de recuperação letárgica da atividade após uma das maiores recessões de nossa história, pois representa uma válvula de escape para a geração de riqueza de agentes com uma situação financeira que costuma ser frágil. Contudo, as operações associadas a essa escala diminuta são tipicamente mais autônomas e, via de regra, apresentam produtividade mais baixa. Como resultado, a capacidade de competição no médio e no longo prazo fica comprometida.

O que esperar para o futuro?

Muito do que acontece na economia gaúcha vem a reboque do cenário nacional. Como não temos nenhum indicativo de que a safra de grãos 2018/2019 no RS será especial, o que poderia trazer um impulso acima da média do Brasil, tudo leva a crer que o desempenho da nossa economia acompanhará aquele exibido pelo total nacional em 2019. Convém lembrar que o estado tem desafios adicionais, como a grave crise das finanças públicas e a demografia, que faz com que a proporção de pessoas aptas a ofertar trabalho seja menor do que a maioria das demais Unidades da Federação. Portanto, nosso potencial de crescimento é estruturalmente mais baixo, e dependemos ainda mais de produtividade para aumentá-lo.