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07

ABRIL, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

A mediana das projeções para o PIB do Brasil em 2020 sofreu mais um forte ajuste ao longo dos últimos sete dias, passando de -0,48% para -1,18%. Logo, as perdas acumuladas desde o início do ano, quando as estimativas apontavam para crescimento de +2,30%, já somam 3,48 pontos percentuais do PIB. Conforme a apuração do IBGE de 2019, essa cifra soma R$ 252,5 bilhões. Assim como na semana passada, a abertura das estatísticas do Produto Interno Bruto por trimestre mostrou piora para todos os trimestres do presente ano, com especial destaque para o segundo (de -1,77% para -4,30%) e o terceiro (de +0,61% para -0,80%) em comparação com os mesmos períodos de 2019.

Segundo a The Economist Intelligence Unit, diversos países deverão amargar recessões significativas ao longo de 2020, muito mais intensas do que a crise financeira internacional de 2008/2009. Chama a atenção que o Brasil está no topo da lista daqueles com a maior variação negativa em pontos percentuais frente ao que se imaginava antes da pandemia, conforme a tabela abaixo.

As perspectivas para o IPCA seguem em desaceleração para 2020 (+2,94% para +2,72%) e 2021 (+3,57% para +3,50%). Portanto, de acordo com os dados mais recentes, o índice deverá fechar o presente ano próximo do piso da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (+2,50%). Além do impacto das paralisações de diversas cadeias e segmentos sobre o emprego, os salários, o número de pedidos para a indústria local e da menor tração do setor externo (exportações e importações), o petróleo continua gravitando em patamares baixos. Esse fenômeno se deve à falta de um acordo concreto entre a Rússia e os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) envolvendo um corte na oferta, dentro do contexto de arrefecimento da procura. Como resultado, os combustíveis tornaram-se mais baratos, lembrando que sua influência na composição do indicador agregado é relevante.

No tocante à política monetária, reforçamos nossa aposta de que, embora o COPOM tenha sinalizado para o encerramento do ciclo de queda da Taxa SELIC em seu último comunicado, haverá novos cortes na taxa básica de juros. O intuito é baratear o custo da tomada de crédito dos consumidores, empresários e do próprio governo.

A escalada da taxa de câmbio nos últimos dias foi interpretada, por alguns agentes de mercado, como a precificação de uma postura mais enérgica do COPOM pró-estímulos à atividade. Caso venha a se concretizar, o retorno das aplicações para os investidores estrangeiros diminui, acentuando a fuga de capitais. Além disso, permanecem as incertezas sobre a evolução do surto de COVID-19, bem como dos efeitos resultantes sobre a produção, o consumo e as contas públicas. Mantido o atual panorama, a tendência é de que o Dólar continue forte ante o Real.

O Governo Federal atualizou sua expectativa para o resultado primário de 2020, ou seja da poupança gerada para o pagamento de juros da dívida. O número passou de R$ -124 bilhões (meta inicial) para R$ -419,2 bilhões. Esse montante representa 5,77% do PIB de 2019, ou seja, o pior valor de toda a série histórica. Apenas de novas despesas, viabilizadas pelo decreto de calamidade pública, serão gastos R$ 224,6 bilhões no enfrentamento da turbulência. Temos, também, aproximadamente R$ 40 bilhões que não serão mais alvo de contingenciamento do orçamento. O restante, por sua vez, diz respeito à perda de arrecadação de impostos.

 

Custo da cesta básica na Região Metropolitana de POA em março

Segundo o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE) da UFRGS, o conjunto de itens que compõem a cesta básica na Região Metropolitana de Porto Alegre (RM POA) subiu +1,22% em março frente a fevereiro, somando R$ 866,48. Dos 51 produtos investigados, 37 ficaram mais caros no período (72,5% do total).

O movimento de alta ganhou força sobretudo na segunda quinzena, quando as medidas de restrição ao fluxo de pessoas e de fechamento de estabelecimentos em nível estadual e municipal foram adotadas pelas autoridades públicas. Diante do aumento da procura dos consumidores e das dificuldades de distribuição de alguns produtos, os preços se elevaram. Esse fortalecimento da demanda pode ser evidenciado através do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que mede a atividade do varejo a partir das transações realizadas pelas suas máquinas de cartão.

As estatísticas para o Brasil do ICVA mostram que, em todas as bases de comparativas, o faturamento nominal de hiper e supermercados avançou. Considerando o agregado de março e da primeira semana de abril, somente esse segmento e drogarias e farmácias registraram variações positivas, conforme o gráficos abaixo.

Embora não existam dados abertos para o Rio Grande do Sul e a RM POA, os sinais apontam para a mesma tendência nesses recortes geográficos. De acordo com a Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), o incremento das vendas em março atingiu 10% sobre igual período de 2019.

O que esperar para o futuro?

O impacto da continuidade das quarentenas ao longo do mês de abril atuará, provavelmente, de modo contracionista sobre o custo da cesta básica. Enquanto que os itens de primeira necessidade são os que menos sofrem em períodos de crise, outros, de caráter menos essencial, tendem a cair mais quando há retração da renda.