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08

ABRIL, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Previsões para o PIB do Brasil em 2019 são cortadas pela sexta semana consecutiva

As expectativas para o PIB do Brasil no presente ano foram cortadas pela sexta semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de +1,97%, levemente abaixo do consenso de mercado do dia 29/03 (+1,98%). Quando abertas por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as estatísticas mais recentes apontam que o processo de aceleração da renda será gradual em 2019: +1,20% no primeiro, +1,95% no segundo, +2,10% no terceiro e +2,76% no quarto.

Por sua vez, a previsão para o PIB de 2020 caiu pela terceira semana seguida, de +2,75% para +2,70%. Já entre 2021 e 2023, a variação acusada ao ano é de 2,5%. Para horizontes de tempo mais longos, as estimativas podem ser interpretadas como o potencial de crescimento da economia brasileira que não gera desequilíbrios macroeconômicos, como a inflação.

O Relatório FOCUS não contempla o chamado PIB per capita, ou seja, o total de bens e serviços produzidos pela economia ao longo de um determinado período dividido pela soma dos habitantes. Trata-se de uma medida mais adequada para a análise do bem-estar da população. Como o estudo “Projeções da População”, do IBGE, aponta que a quantidade de pessoas no território nacional avançará entre 0,7% e 0,8% ao ano até 2023, o PIB per capita subirá entre 1,2% e 1,3% em 2019, aproximadamente 2,0% em 2020 e algo próximo a 1,8% a partir de 2021. Caso esse cenário venha a se materializar, somente em 2023 devolveríamos as perdas acumuladas de 8,6% entre 2014 e 2016.

Com relação às demais variáveis, não houve alterações significativas. Enquanto a mediana do mercado para o IPCA acelerou de 3,89% para 3,90% em 2019, a estimativa própria da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre enviada para o Relatório FOCUS permaneceu em +3,74%. Os valores são, para ambos os casos, inferiores à meta de +4,25%. Esse quadro inflacionário benigno viabiliza a atual política monetária de juros baixos para padrões brasileiros: a Taxa SELIC deve permanecer em 6,5% ao ano até abril de 2020, aumentando, a partir de então, em 1 ponto percentual até dezembro.

Se considerarmos apenas os integrantes que compõem o chamado “Top 5”, ou seja, com a maior assertividade nas previsões, os números para a inflação e os juros desse grupo são iguais à mediana da totalidade das instituições participantes do Relatório FOCUS.

 

  • Indicadores regionais CDL POA / Boa Vista SCPC: registros de inadimplentes e recuperação de crédito não sinalizam mudanças significativas no balanço financeiro das famílias na arrancada de 2019

Visão geral: O Registro de Inadimplentes é construído a partir do número de novos registros informados pelas empresas credoras de dívidas vencidas e não pagas pelos consumidores. Aqui, portanto, cada inserção junto ao cadastro de que dispomos, independente do seu valor, apresenta a mesma relevância para o cômputo desse índice. Já o Indicador de Recuperação de Crédito dos Consumidores é elaborado com base na quantidade de registros excluídos do nosso banco de dados em virtude da quitação dos débitos previamente contraídos. Da mesma forma que o Indicador de Registros de Inadimplentes, apenas o volume suprimido de inscrições importa, e não o respectivo montante financeiro.

Quanto maior a diferença entre a Recuperação de Crédito e o Registro de Inadimplentes em favor da primeira variável, mais benigna é a situação financeira dos consumidores em relação ao período anterior. Quando isso é verdade, as inscrições nos cadastros da CDL-POA / Boa Vista SCPC diminuíram em termos absolutos, uma vez que a saída (Recuperação de Crédito) foi superior a entrada (Registro de Inadimplentes).

Brasil, Região Sul e Porto Alegre apresentaram padrão semelhante, com queda do Registro de Inadimplentes e da Recuperação de Crédito em magnitudes muito próximas. Logo, as evidências apontam que o balanço financeiro dos agentes nas respectivas localidades pouco mudou no início do presente ano em comparação com 2018. A exceção ficou por conta do Rio Grande do Sul, diante do recuo na quantidade de inadimplentes (-5,6%) e do avanço na recuperação de crédito (+2,9%). Ou seja, os dados sinalizam que o espaço para o consumo de bens e serviços no futuro tornou-se maior no interior do estado no período analisado.

 

  • Um novo olhar sobre a inflação medida pelo IPCA em 2018

O Banco Central divulgou estudo recente sobre a decomposição do IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, em 2018. Através de metodologia adequada, é possível separar os elementos que, de alguma forma, ditaram a variação do nível geral de preços no ano passado. De acordo com o IBGE, o indicador teve alta de +3,75%, ou seja, 0,75 ponto percentual (p.p.) abaixo do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. Esse é o ponto de partida, de modo que se somarmos cada uma de suas respectivas influências, chegaremos ao desvio. Todos os resultados estão sintetizados no gráfico abaixo.

Em primeiro lugar, a inércia contribuiu com 0,46 p.p. para o desvio total. Esse fenômeno diz respeito à tendência de perpetuação da inflação passada para o futuro, alimentada pelos mecanismos de indexação existentes em alguns preços e salários da economia. Como, em 2017, o IPCA cresceu apenas 2,95%, estando fora, inclusive, do intervalo definido pelo CMN (entre 3,0% e 6,0%), o componente da inércia foi relevante para manter o IPCA bem-comportado.

Por sua vez, a influência das expectativas foi de -0,32 p.p. para o desvio total. Ao longo de 2018, as previsões para o IPCA, de acordo com os dados de mercado do Relatório FOCUS, do Banco Central, sempre permaneceram abaixo de 4,5%. Pelo lado da inflação importada, a contribuição foi de +0,94 p.p.. O principal motivo foi a significativa desvalorização da taxa de câmbio no ano passado, concentrada principalmente no segundo e terceiro trimestres.

Por fim, os choques de oferta foram praticamente neutros (-0,06 p.p.). Acreditamos que a inexistência de condições climáticas desfavoráveis ajudou a sustentar a inflação de alimentos (+4,52%) praticamente em linha com a meta (+4,5%).

Para 2019, tanto a inércia carregada de 2018 quanto as expectativas devem colaborar para o controle do IPCA, enquanto que a inflação importada dependerá da evolução da taxa de câmbio e da cotação internacional das commodities no mercado internacional.