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JUNHO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: PIB, inflação e juros mais baixos

As expectativas para o PIB nacional em 2019 caíram pela décima quinta semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de apenas +1,00%, inferior ao consenso de mercado do dia 31/05 (+1,13%). Nunca a variação estimada para essa variável foi tão baixa, lembrando que as previsões chegaram a apontar para +3,00% de crescimento no período entre fevereiro e a primeira semana de junho de 2018. Essa diferença, de dois pontos percentuais, representa R$ 136,5 bilhões a menos que deixarão de circular na economia brasileira no presente ano.

Caso venha a se confirmar, o Brasil ainda estaria 3,7% abaixo do pico da atividade econômica, atingido em 2014. Do ponto de vista do PIB per capita, a situação é ainda mais dramática: praticamente não houve avanço nos últimos anos, e, novamente, a tendência para 2019 é de praticamente uma estagnação, com incremento calculado de +0,2%, supondo expansão de +0,8% da população nacional. Nesse caso, a distância para o ponto mais elevado da série, em 2013, totalizaria 7,9%.

Quando abertas por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as últimas estatísticas apontam que o processo de aceleração da renda será ainda mais gradual ao longo de 2019 em relação ao antecipado na semana passada: de +1,00% para +0,89% no segundo, de +1,30% para +1,00% no terceiro, e de +1,75% para +1,57% no quarto. Para 2020, as previsões foram significativamente ajustadas para baixo, caindo de +2,50% para +2,23%.

As expectativas para o índice oficial de preços do Brasil (IPCA) em 2019 desaceleraram consideravelmente, de +4,03% para +3,89%, abaixo da meta definida para esse ano é de +4,25%. A causa primordial foi a divulgação da leitura do mês de maio, cujo valor, de acordo com o IBGE (+0,13%), foi o menor para o mês desde 2006. Além disso, o dado veio mais fraco do que o antevisto pela mediana do mercado (+0,23%).

No tocante à política monetária, as expectativas apontam para juros mais baixos em 2020 (queda de 7,25% ao ano para 7,00% ao ano no encerramento do ano que vem). A inflação bem-comportada e a desaceleração econômica projetada para o ano que vem no Brasil abrem espaço para que a taxa básica dê suporte à atividade, tornando mais barata a tomada de crédito para consumo e investimentos.

 

  • Indicadores próprios Boa Vista SCPC / CDL POA: Registro de Inadimplentes e Recuperação de Crédito no primeiro quadrimestre de 2019

Quanto maior a diferença entre a Recuperação de Crédito e o Registro de Inadimplentes em favor da primeira variável, mais benigna é a situação financeira dos consumidores em relação ao período anterior. Quando isso é verdade, as inscrições nos cadastros da CDL-POA / Boa Vista SCPC diminuíram em termos absolutos, uma vez que a saída (Recuperação de Crédito) foi superior a entrada (Registro de Inadimplentes).

Houve queda tanto do Registro de Inadimplentes quanto da Recuperação de Crédito entre janeiro e abril de 2019 ante igual período de 2018. No entanto, para o Brasil, Rio Grande do Sul e Porto Alegre (especialmente nesses dois últimos recortes), a taxa de decaimento da segunda variável foi inferior à primeira. Logo, as evidências apontam que o balanço financeiro dos agentes econômicos no nosso estado e na capital gaúcha melhoraram um pouco mais no primeiro quadrimestre de 2019 em relação a 2018, comparativamente às demais localidades investigadas.

Parte da justificativa desses resultados está no desempenho atividade econômica em nível estadual. O Índice do Banco Central do RS, termômetro (proxy) da atividade econômica, acusou elevação de +0,50% no primeiro trimestre de 2019 ante o quarto trimestre de 2018, na série com ajustamento sazonal, e de +4,0% frente ao primeiro trimestre de 2018. Ambas as variações superam os valores registrados no âmbito nacional: -0,7% e +0,2%, respectivamente. Essa dinâmica também está em linha com o movimento observado no mercado de trabalho, mais especificamente da massa salarial real. No primeiro trimestre de 2019, os rendimentos dos trabalhadores no RS tiveram alta de +4,7% acima da inflação em comparação com janeiro a março de 2018, enquanto que o incremento no Brasil foi de +3,4%.

 

  • Índices de preços – mai/19

Visão geral: O indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve crescimento de +0,13% em maio. Trata-se da menor variação já registrada desde 2006. O resultado veio abaixo do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central, cuja elevação esperada era de +0,23% em ambos os casos. Responsável por aproximadamente 25% do índice, o grupamento “Alimentos e bebidas” teve deflação de -0,56% – menor valor para o mês desde 2002 –, exercendo assim influência decisiva para esse resultado, por conta da estabilização dos choques negativos sobre os preços de alguns itens, como o tomate e o feijão-carioca.

No acumulado em 12 meses, houve desaceleração significativa do índice, de +4,94% no mês anterior para +4,66%, valor que permanece acima da meta definida para 2019 (+4,25%). Todavia, o balanço de riscos da inflação tornou-se ainda mais confortável, com as expectativas caindo para níveis inferiores a 4,0% no fechamento do ano.

Conforme os apontamentos das últimas Notas Econômicas, o balanço de riscos da inflação, apesar da aceleração registrada nos últimos meses, não estava comprometido. Em maio, boa parte dos choques pontuais sobre alguns preços se dissiparam, principalmente no tocante aos alimentos. Outro fator de suma importância foi a estabilidade do grupo de transportes: por um lado, a gasolina subiu 2,82% no mês, enquanto as passagens aéreas diminuíram 21,82%. 

A existência de grande capacidade ociosa – maquinário e mão de obra – do parque produtivo e a letargia da atividade econômica atuam para manter o IPCA controlado. Nesse sentido, os sete indicadores que visam capturar o núcleo do IPCA, a partir da exclusão de alguns itens mais voláteis, e que são mais aderentes ao comportamento do PIB, estão abaixo da meta de 4,25% em todos os casos.