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AGOSTO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: juros e inflação menores em 2019

As expectativas para o PIB do Brasil em 2019 desaceleraram levemente em relação à semana passada, passando de +0,82% para +0,81%. Conforme a abertura das projeções por grandes setores da atividade, a agropecuária, a indústria e os serviços deverão crescer +0,90%, +0,51% e +1,32%, respectivamente. Já a desagregação das estatísticas por trimestre indica que a retomada cíclica da economia brasileira continuará, porém em ritmo lento e gradual. Estima-se que a alta entre abril e junho, frente ao mesmo período de 2018, tenha alcançado +0,76%. Para o terceiro e quarto trimestres de 2019, as taxas esperadas nessa base de comparação são de +0,81% e +1,24%, respectivamente. No ano que vem, a crença do mercado sobre o PIB permaneceu em +2,10%, mesmo valor da semana passada. Para os anos seguintes, também não houve alteração (+2,5% em 2021 e 2022).

As principais novidades do último Relatório FOCUS ficaram por conta da inflação e dos juros. Sobre o primeiro, as expectativas para o IPCA caíram de +3,80% para +3,76%, após a divulgação do resultado oficial de julho. De acordo com o IBGE, o índice oficial de inflação do mês passado subiu +0,19%, abaixo do que o consenso apontava (+0,23%). Logo, a distância em relação à meta, de +4,25%, ficou ainda maior.

Como resultado, abre-se espaço para que o Banco Central adote uma política monetária ainda mais expansionista, promovendo a diminuição dos juros. Os analistas, agora, esperam que a Taxa SELIC encerre 2019 em 5,00% ao ano, e não mais em +5,25% a.a., o que significa menos um (1) ponto percentual em relação ao patamar atual. Nas próximas três reuniões do COPOM até o encerramento do presente ano, os cortes antevistos são de 0,50 ponto percentual, na reunião de setembro, além de outros dois, de 0,25 ponto percentual cada. Vale lembrar que juros mais baixos reduzem o custo de endividamento do governo, das famílias e dos empresários, atuando para estimular o PIB. Além disso, quanto menor o diferencial de juros frente às demais nações, mais desvalorizada tende a ser a taxa de câmbio, em função da perda de atratividade dos ativos locais, contribuindo para o avanço das exportações.

 

  • IPCA de julho registra variação de +0,19%

Em julho, o indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, registrou alta de +0,19% sobre junho. É o valor mais baixo para o período desde 2014 (+0,01%). O resultado veio um pouco abaixo do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central (+0,23% em ambos os casos), e coincidiu com a projeção da Assessoria Econômica da CDL-POA. O principal componente de pressão sobre os preços veio do grupo “Habitação”, com elevação de +1,20%, gerando contribuição de 0,19 ponto percentual para o índice cheio. A bandeira tarifária amarela e o reajuste da energia elétrica em diversas praças foram determinantes para o movimento verificado nesse subconjunto.

Já no acumulado em 12 meses, houve nova desaceleração, de +3,37% em junho para +3,22% em julho, bem abaixo da meta de +4,25% definida para esse ano. Nessa base de comparação, é o patamar mais baixo já registrado desde maio de 2018, antes dos efeitos da greve dos caminhoneiros sobre a economia.

A tabela abaixo detalha os principais grupos de produtos que compõem o IPCA, incluindo a variação e seu devido impacto para o cômputo final nos meses de junho e julho de 2019.

Resultado para a Região Metropolitana de Porto Alegre:

O IPCA da Região Metropolitana de Porto Alegre teve incremento de +0,54% em julho, o que significa a maior variação entre todas as 16 localidades investigadas. No acumulado em 12 meses até julho, o IPCA da RM de POA registra elevação de +3,57%, ou seja, 0,35 ponto percentual a mais do que a média brasileira (+3,22%).

Resultado do INPC:

O INPC do Brasil, índice usado, entre outras finalidades, para balizar reajustes salariais, encerrou julho com crescimento de +0,10%. Nos últimos 12 meses, o INPC acumula crescimento de +3,16%.

Visão geral:

A atividade econômica permanece em ritmo muito lento. Segundo o Banco Central, o PIB do Brasil no segundo trimestre provavelmente registrou algo entre a estabilidade e um pequeno crescimento em relação ao primeiro, na série com ajuste sazonal. Apesar de alguma melhora na geração de empregos formais e da pequena retração do desemprego observada recentemente, a ociosidade da mão de obra segue considerável, o que impede um avanço mais forte da massa de salários. Da mesma forma, o maquinário instalado nas indústrias continua com baixa utilização, impedindo a retomada mais forte dos investimentos produtivos.

 

  • PMC de junho: vendas do comércio caem e arrefecem o resultado do primeiro semestre

Em junho, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Sul no conceito restrito caiu -3,7% em relação a maio, na série com ajuste sazonal. Trata-se da queda mais intensa nessa base desde dezembro de 2008 (-4,7%), no ápice da crise financeira internacional. Por conseguinte, a atividade econômica do setor recuou para o mesmo nível de setembro de 2017.

Em relação a junho de 2018, o faturamento real também retraiu (-5,2%), configurando o pior resultado nesse comparativo desde dezembro de 2016 (-6,3%). Já no acumulado do ano, a taxa de crescimento desacelerou novamente, passando de +3,0% entre janeiro e maio, para +1,6% entre janeiro e junho. Consequentemente, o primeiro semestre de 2019 teve a variação mais baixa nessa métrica da última década, excetuado o período da grande recessão de 2015-2016, conforme o gráfico abaixo.

Por sua vez, o varejo ampliado em junho registrou perdas de -3,2% ante o mesmo período do ano passado, algo que só não foi pior em função do desempenho de “veículos, motocicletas, partes e peças” (+6,2%). Dos 10 subsegmentos, sete diminuíram o volume de vendas no mês, fenômeno que não acontecia desde dezembro de 2016, quando 9 ramos fecharam o período no vermelho. As estatísticas comparativas entre o Brasil e o Rio Grande do Sul podem ser acessadas na tabela abaixo.

Comentários gerais: Do ponto de vista estrutural, os resultados da PMC no primeiro semestre encontram correspondência com (1) a lenta retomada da renda no Rio Grande do Sul; (2) a estabilização da confiança dos consumidores em patamares baixos; e (3) a recuperação morosa do mercado de crédito. Sobre os números de junho, acreditamos que parte da explicação se deve ao inverno menos rigoroso em relação ao ano passado, o que naturalmente diminui o interesse por produtos típicos da estação. Em alguns casos, esses itens apresentam ticket médio mais alto, com impacto relevante sobre a movimentação financeira. Por exemplo, o setor de “tecidos, vestuário e acessórios”, cuja dinâmica é bastante atrelada ao comportamento do clima mais frio, caiu 3,6% em junho em relação ao mesmo mês de 2018, algo que não vinha ocorrendo até então em 2019.