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JULHO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: PIB do Brasil menor em 2019 e em 2020

As expectativas de mercado para o PIB nacional em 2019 caíram pela vigésima semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de apenas +0,81%, marginalmente inferior ao consenso do dia 05/07 (+0,82%). Na abertura pela ótica da oferta, o setor de serviços sofreu o maior corte: de +1,32% na semana passada, para +1,20%. Por sua vez, a indústria caiu de +0,54% para +0,48%, enquanto a agropecuária se manteve estável em +0,90%.

O Banco Central divulgou hoje o resultado do Índice do Banco Central (IBC) de maio, que acusou crescimento de +0,54% ante abril, na série com ajuste sazonal. Foi o primeiro avanço nessa base de comparação em 2019. Em relação a maio do ano passado, a elevação foi de +4,4%, muito por conta da base deprimida, herdada da greve dos caminhoneiros. Em 12 meses, a expansão alcança +1,31%. Esse indicador é uma aproximação (proxy) do PIB, construído a partir de variáveis que refletem a dinâmica dos três grandes setores da economia. Trata-se, portanto, de um termômetro da atividade em nível nacional, que evidencia a dificuldade do Brasil em manter a retomada cíclica após a crise de 2015-2016.

Conforme a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE) subiu +0,9% na passagem de maio para junho, para 117,0 pontos. O objetivo é antever mudanças no ciclo econômico de curto prazo. 

Esses resultados do IBC e do IACE diminuem a probabilidade de novos cortes significativos nas perspectivas de crescimento da economia em 2019, pelo menos no curto prazo.

Para 2020, o Relatório FOCUS acusou corte de 0,1 ponto percentual no PIB: de 2,2% para 2,1%. Vale lembrar que, em março, essas projeções estavam em +2,8%.

As previsões para o IPCA sofreram uma leve aceleração, de +3,80% para +3,82%, após a divulgação da leitura oficial do dado de junho, conforme dados do IBGE. No mês passado, os preços variaram +0,01%, acima do antecipado pelo mercado (-0,03%). De qualquer forma, o balanço de riscos da inflação segue bastante confortável, abrindo espaço para que, consolidada a aprovação da Reforma da Previdência no Congresso Nacional, o COPOM inicie uma nova rodada de reduções na Taxa SELIC até o fim de 2019, com o intuito de estimular a atividade econômica. A tendência é de que os juros básicos caiam em 1,00 ponto percentual até dezembro, de 6,50% ao ano para 5,50% ao ano.

 

  • IPCA de junho registra variação de +0,01%  

O indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, fechou o mês de junho praticamente estável, com alta de +0,01%. Trata-se da segunda menor variação para o período em toda a década, superior apenas à deflação de -0,23% registrada em 2017. O resultado veio um pouco acima do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central, de -0,03% e -0,04%, respectivamente. Responsáveis por aproximadamente 43% do índice, os grupamentos “Alimentos e bebidas” e “Transportes” sofreram quedas de -0,25% e -0,31%, respectivamente, exercendo influência decisiva para o comportamento verificado no índice cheio.

No acumulado em 12 meses, houve desaceleração considerável, de +4,66% em maio para +3,37% em junho, patamar situado entre a banda inferior (+2,75%) e o centro da meta (+4,25%) de inflação definida para 2019. Esse recuo abrupto se deve ao fato de que o mês de junho de 2018, marcado pela aceleração expressiva de +1,26%, derivada dos efeitos da greve dos caminhoneiros, saiu da base de comparação.

Visão geral: os índices de preços foram afetados nos primeiros meses do ano por alguns choques negativos sobre (i) os preços dos alimentos, em função de problemas localizados nas safras de alguns estados do Brasil; e (ii) os combustíveis, decorrente da alta do barril de petróleo no mercado internacional e da desvalorização da taxa de câmbio. Todavia, a maior parte desses efeitos já foi dissipada, resultando em uma dinâmica inflacionária benigna. Entre as causas estruturais que explicam o IPCA abaixo do centro da meta está a atividade econômica praticamente parada, aliada ao grande nível de ociosidade de mão de obra e de maquinário instalado nas indústrias, oriunda da grande recessão de 2015-2016. Além disso, nas últimas semanas, a taxa de câmbio teve apreciação expressiva, fruto das perspectivas de maior liquidez nos mercados internacionais, e da continuidade da tramitação da Reforma da Previdência no Brasil. Quanto mais forte é o Real em comparação com o Dólar, maior o incentivo para a aquisição de produtos importados, o que acirra a concorrência com as mercadorias nacionais.

 

  • PMC de maio: vendas do comércio permanecem em ritmo lento

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Sul no conceito restrito caiu -0,5% no mês de maio em relação a abril, na série com ajuste sazonal. Nessa base de comparação, a atividade econômica do setor está no mesmo patamar verificado em dezembro de 2018, evidenciando um preocupante quadro de estagnação. Em relação a maio de 2018, a movimentação financeira cresceu, em termos reais, +2,6%. Já no acumulado do ano entre janeiro e maio ante igual período do ano anterior, o avanço foi de +2,9%. Trata-se de uma das variações mais baixas já registradas por essa métrica ao longo da última década, excetuado o período da grande recessão de 2015-2016, conforme o gráfico abaixo.

Por sua vez, o varejo ampliado em maio teve alta de +0,4% sobre abril (após ajuste sazonal), de +6,5% sobre maio do ano passado, e de +4,4% no acumulado do ano. O resultado no mês se deve ao bom desempenho de “Materiais de Construção”, mas, principalmente, a “Veículos, motocicletas, partes e peças”. Os dados, compilados na tabela abaixo, demonstram que o Rio Grande do Sul superou o Brasil na maior parte dos subsegmentos investigados.

Comentários gerais: Desde o início do ano, a confiança dos consumidores sofreu uma deterioração significativa, após a melhora da percepção das famílias verificada no período pós-eleições de outubro de 2018. Algumas das justificativas para esse movimento são: (i) atividade econômica estagnada, com impactos negativos sobre o ritmo de contratações de mão de obra e sobre a massa de salários; (ii) aceleração da inflação em determinados itens, como alimentos e combustíveis; (iii) recuperação muito gradual do mercado de crédito; e (iv) incertezas políticas, envolvendo o avanço de reformas estruturais no Congresso Nacional.

Mesmo dispondo de renda, consumidores cuja visão sobre a situação atual e sobre as perspectivas do futuro é pessimista, tendem a adotar um comportamento mais precaucional. Diante desse quadro, o volume de vendas acaba sendo mais baixo.