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JUNHO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: projeção para a Taxa SELIC cai significativamente para o fim de 2019 e 2020; expectativas para o PIB diminuem novamente

As expectativas para o PIB nacional em 2019 caíram pela décima sexta semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de apenas +0,93%, inferior ao consenso de mercado do dia 07/06 (+1,00%). Essa reavaliação foi deflagrada após a divulgação do Índice do Banco Central (IBC) de atividade econômica, que funciona como uma proxy (aproximação) do PIB: em abril, o indicador diminuiu -0,5% em comparação com março, na série com ajustamento sazonal. Já em relação a abril de 2018, houve recuo de -0,6%. As estatísticas fornecem evidências mais robustas de que o PIB do segundo trimestre não deve performar satisfatoriamente, mesmo com a base de comparação deprimida do ano passado, provocada por eventos atípicos como a greve dos caminhoneiros e a Copa do Mundo.

Entre os setores, o avanço projetado para a indústria em 2019 sofreu a maior revisão baixista, de +0,88% para 0,62%. Dados do IBGE mostram que a dinâmica do setor, medida pelo volume físico de mercadorias produzidas, segue penalizada pelo desempenho ruim tanto da indústria de transformação quanto da extrativa mineral, em função dos desdobramentos da tragédia de Brumadinho (MG). Por sua vez, a agropecuária deverá crescer +0,90%, e não mais +0,99%, enquanto os serviços passaram de +1,43% para +1,40%. Apesar do mercado de trabalho ainda muito deteriorado, o setor terciário deve se beneficiar da inflação sob controle, juros mais baixos e da possibilidade de injeção de caixa nas famílias via liberação dos depósitos do FGTS após a aprovação da reforma da Previdência.

A principal alteração no Relatório FOCUS foi o significativo recuo das expectativas envolvendo a Taxa SELIC, que passaram de 6,50% ao ano no fim de 2019 para 5,75% ao ano. Além das previsões cada vez mais distantes em relação ao centro da meta de 4,25% para o IPCA, a retomada letárgica do nível de atividade atua para tornar as pressões de demanda cada vez mais fracas sobre os índices de preços. Da mesma forma, o cenário internacional mostra que inúmeros países, principalmente os desenvolvidos, estão usando novas ferramentas para injetar recursos nos mercados, incluindo a Zona do Euro e a China. No Japão, os juros devem permanecer em patamares baixíssimos nos próximos semestres, enquanto crescem as apostas de cortes na chamada Fed Funds (similar a Taxa SELIC do Brasil) dos Estados Unidos ainda em 2019.

Todavia, é possível que a leitura do relatório final da Reforma da Previdência na Comissão Especial tenha sido a grande causa explicativa desse fenômeno, uma vez que, apesar de certa “desidratação” do texto original proposto pelo governo, existe a expectativa de grande adesão por parte dos partidos do Centrão, diminuindo a probabilidade de novos abrandamentos nas regras de acesso aos benefícios nas discussões vindouras. Para o fim de 2020, a taxa básica de juros também deve ser menor, atingindo 6,50% ao ano, e não mais 7,00% ao ano.

 

  • PMC de abr/19: vendas do comércio permanecem em ritmo lento

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Sul no conceito ampliado em abril permaneceu 0,2% abaixo do patamar registrado em dezembro de 2018, na série com ajuste sazonal. Ou seja, após os primeiros 4 meses de 2019, a atividade do setor permaneceu praticamente estagnada. Já no acumulado do ano entre janeiro e abril em relação ao mesmo período do ano passado houve crescimento de +3,9%: trata-se da expansão mais baixa – excetuados os anos da grande recessão de 2015 e 2016 – desde 2009, ano marcado pelos impactos da crise financeira internacional, conforme o gráfico abaixo. As evidências, portanto, sugerem uma acomodação preocupante do setor.

No âmbito do comércio restrito gaúcho, na série livre de influências sazonais, o nível de abril superou o de dezembro do ano passado em apenas +0,6%. Nesse recorte, a expansão sobre igual período de 2018 foi de +5,6%, enquanto que no acumulado do ano atingiu +2,9%. A tabela comparativa abaixo mostra que o Rio Grande do Sul teve desempenho superior ao do Brasil na maior parte dos seus subsegmentos, algo válido tanto para o mês de abril quanto no primeiro quadrimestre.

 

Observações para os setores do RS – acumulado do ano jan-abr19/18:

Hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo: a diminuição de -0,4% no volume de vendas no primeiro quadrimestre foi determinada, entre outros motivos, pela aceleração dos preços de alguns alimentos.

Móveis e eletrodomésticos e materiais de construção: a permanência da recessão na construção civil diminui a venda de materiais (-3,3%), bem como dos equipamentos que servem para mobiliar os imóveis e os equipamentos eletroeletrônicos (-0,3%).

Livros, jornais, revistas e papelaria: continuidade da substituição das mídias impressas pelas digitais afeta negativamente o setor, gerando um encolhimento de -15,5%.

Veículos, motocicletas, partes e peças: base de comparação ainda muito deprimida favorece a geração de taxas de crescimento mais elevadas (+11,3%) do que em comparação a outros setores. Ao término de 2018, o volume de vendas do segmento no Rio Grande do Sul ainda estava 25,6% abaixo do registrado em 2013, patamar mais elevado da série histórica.