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MAIO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Expectativas para o PIB do Brasil em 2019 são cortadas pela décima segunda semana consecutiva

As expectativas para o PIB do Brasil em 2019 foram cortadas pela décima segunda semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de +1,24%, bem abaixo do consenso de mercado do dia 10/05 (+1,45%). Trata-se do menor valor de toda a série histórica, iniciada no dia 04 de janeiro de 2016. A diferença de 1,36 ponto percentual entre a previsão do dia 17 de janeiro (2,60%) e o dado mais recente corresponde a R$ 92,9 bilhões. As constantes quedas do valor das ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, o aumento dos riscos envolvendo o cenário internacional, os indicadores recentes de atividade econômica, como o IBC-BR, que reforçam a perda de tração da economia brasileira no primeiro trimestre, e as incertezas sobre a aprovação de reformas estruturantes no Congresso Nacional são algumas das causas desse movimento.

O índice oficial de preços do Brasil, IPCA, encerrará 2019 em +4,07%, valor um pouco superior ao registrado na semana passada (+4,04%). A nova estimativa permanece abaixo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2019, de +4,25%.

Já o valor esperado para a taxa de câmbio no fim do ano passou de R$ 3,75 para R$ 3,80, ou seja, a leitura dos participantes do FOCUS é de que, até dezembro, a cotação diminua em relação aos R$ 4,10 de hoje. Nesse cenário, embute-se a melhora do cenário nacional determinada pela aprovação da Reforma da Previdência e o abrandamento dos riscos no âmbito internacional.

Para o encerramento de 2020, o mercado atualizou sua perspectiva para a Taxa SELIC, de 7,50% para 7,25% ao ano. Trata-se de uma aposta de que a recuperação da economia brasileira permanecerá em marcha lenta também no ano que vem, necessitando de um maior suporte da política monetária para o preenchimento da capacidade ociosa – maquinário e mão de obra.

 

  • IPCA de abril registra variação de +0,57%

Visão geral: o indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve crescimento de +0,57% em abril. O resultado veio abaixo do consenso de mercado (+0,61%) e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões (+0,60%) do Relatório FOCUS, do Banco Central, mas acima da expectativa da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre (+0,52%). No acumulado em 12 meses, houve aceleração significativa do índice, de +4,58% para +4,94%, acima da meta definida para 2019 (+4,25%). Praticamente 90% da alta no mês veio de três componentes: “saúde e cuidados pessoais”, “transportes” e “alimentos”, pela respectiva ordem de importância. Todavia, os riscos que podem comprometer a estabilidade do poder de compra da moeda ainda seguem mitigados, pelo menos no curto prazo.

Acreditamos que o balanço de riscos da inflação não está comprometido, dado que a existência de grande capacidade ociosa – maquinário e mão de obra – do parque produtivo opera para manter o IPCA controlado. Ademais, a lenta evolução de diversos setores no primeiro trimestre do ano, conforme os indicadores já conhecidos, reduziram consideravelmente as pressões de demanda.

Além dos combustíveis, a deterioração adicional do cenário internacional também pode prejudicar o balanço de riscos da inflação.

A tramitação da Reforma da Previdência, cerne da promoção do ajuste fiscal, desempenha papel central. A questão envolve o grau de desidratação do texto original no Congresso Nacional. Se o endurecimento das regras de acesso aos benefícios não for razoável, a expansão sistemática dos gastos públicos continuaria, afetando os prêmios de risco dos ativos nacionais. Em caso contrário, a atração de capitais do exterior atuaria para valorizar a taxa de câmbio.

 

  • PMC de mar/19: impacto do carnaval desacelera vendas do comércio no acumulado do primeiro trimestre

Visão geral: De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Sul no conceito ampliado caiu -2,3% em março frente ao mesmo período de 2018. O recuo, no entanto, foi menor do que o registrado em nível nacional (-3,4%). Todos os resultados nessa base de comparação foram afetados pelo chamado efeito-calendário, por conta do deslocamento do carnaval, normalmente comemorado em fevereiro, motivando assim a queda do número de dias úteis. Os números do setor vieram negativos pela primeira vez em 2019, o que naturalmente impactou o desempenho no acumulado do ano: no primeiro trimestre, a alta de +3,6% configura a evolução mais lenta para o RS desde 2016 (-11,9%).

No âmbito do comércio restrito gaúcho, a queda no mês foi de -3,2%, também menos intensa do que a verificada para o total do Brasil (-4,5%). A baixa foi determinada por “hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo” (-7,1%), que responde por parte significativa do indicador agregado, e “móveis e eletrodomésticos” (-10,9%). A alta dos preços dos alimentos no primeiro caso, e a recessão na construção civil no segundo, são algumas das causas. Já “tecidos, vestuário e calçados” (+7,0%) e “combustíveis e lubrificantes” (+10,6%) impediram um desempenho ainda pior do segmento.