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OUTUBRO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: projeções para a inflação e Taxa SELIC em queda

A projeção de crescimento da economia brasileira em 2019 sofreu ajuste na margem: de +0,87% para +0,88%. Por sua vez, a mediana das expectativas permaneceu estável em +2,00% para 2020. Ambos os números coincidem com os valores esperados pelos analistas do FMI, segundo divulgação realizada há poucos dias.

As estimativas para os índices de preços nesse e no ano que vem seguiram desacelerando. Para 2019, o IPCA caiu de +3,28% para +3,26%, praticamente um ponto percentual abaixo da meta (+4,25%). Já no ano que vem, a queda foi ainda mais intensa, de +3,73% para +3,66%, distanciando-se ainda mais da meta de +4,00%. Além da lenta dinâmica da renda e do mercado de trabalho, da elevada ociosidade existente no parque produtivo e da menor inércia inflacionária, determinada pela baixa variação do indicador em 2019, existe outro elemento essencial a ser mencionado: a nova Pesquisa de Orçamentos Familiares. De acordo com a atualização da POF, o grupamento de Transportes ultrapassou o de Alimentos e Bebidas entre os de maior relevância. Como existe a expectativa de avanço mais forte do segundo, e de incremento mais contido do primeiro em 2020, o impacto resultante tende a tornar o IPCA ainda mais bem-comportado. Conforme sondagem realizada pela XP Investimentos, os especialistas creem que o índice fique entre 0,1 e 0,3 ponto percentual menor, apenas em função dessa alteração.

No que diz respeito à Taxa SELIC, os participantes do Relatório FOCUS também reviram suas posições, de modo que o percentual antevisto para o fim desse ano caiu de +4,75% para +4,50% ao ano. Ou seja, dois cortes de 0,5 ponto percentual estão no radar da maioria. Já para o fim de 2020, não houve mudanças: +4,75% ao ano. Acreditamos que a continuidade das políticas monetárias expansionistas em diversas partes do mundo, aliada à sanção presidencial da Reforma da Previdência e à possibilidade concreta de novas surpresas positivas advindas da inflação serão as alavancas para reduções dos juros também em 2020.

A taxa de câmbio sofreu um leve ajuste para o fim de 2020, passando de R$ 3,95 para R$ 4,00.  Entre os fatores que devem influenciar a cotação dessa semana estão os desdobramentos da rejeição do acordo para o Brexit pelo parlamento britânico e a possibilidade de trégua entre Estados Unidos e China, visando o arrefecimento da guerra comercial.

Sobre o ajuste fiscal, o FMI espera que a dívida bruta brasileira, que atingiu 87,9% do PIB em 2018, alcance 95,3% em 2022. Ademais, somente no ano seguinte é que a trajetória de crescimento dessa variável deverá ser revertida.

 

  • PIB do Rio Grande do Sul: avaliação dos principais resultados do segundo trimestre de 2019

O PIB do RS teve alta de 4,7% no segundo trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, configurando desempenho acima da média nacional nessa base de comparação (+1,0%). Na abertura por categorias, todos os grandes setores registraram crescimento, com destaques para a agropecuária (+9,2%) e a indústria (+5,7%). Por sua vez, os serviços expandiram sua atividade em +2,0%, cujo ritmo foi semelhante ao do comércio. Embora o setor terciário tenha avançado menos frente aos demais no estado, a variação, assim como nos demais casos, superou a do Brasil (+1,2%).

Na série histórica com ajustamento sazonal, o PIB do Rio Grande do Sul subiu +1,4% ante os três primeiros meses de 2019. Nessa métrica, a economia gaúcha atingiu seu maior patamar desde o último trimestre de 2014. Todavia, ainda estamos -2,9% abaixo do pico, verificado no segundo trimestre de 2013. Ou seja, ainda precisamos gerar novos incrementos da renda apenas para devolver as perdas decorrentes da grande recessão entre 2014 e 2016.

Ao longo do primeiro semestre, a economia gaúcha avançou +3,8% sobre igual período do ano passado, ou seja, a maior taxa dos últimos seis anos. À época, em 2013, a trajetória do PIB contava com um efeito estatístico favorável, determinado pela estiagem de 2012.

Alguns fatores ajudam a explicar esses números: em primeiro lugar, o segundo trimestre de 2018 ficou marcado pela greve dos caminhoneiros, responsável pela interrupção de várias cadeias produtivas e pela restrição ao acesso de diversos serviços. Consequentemente, a ausência de paralisações de grande porte em 2019 impactou positivamente todos os setores. Em segundo lugar, a agropecuária, mais especificamente a soja e o milho, também se beneficiou de uma base de comparação pequena, determinada pela estiagem de 2018. Por fim, o aumento da demanda por manufaturados do RS estimulou a produção industrial, sobretudo no que diz respeito aos veículos, químicos, máquinas e implementos agrícolas e produtos de metal.

Comentários: 2º Trimestre de 2019 / 2º Trimestre de 2018

Agropecuária (+9,2%): destaques para o aumento de +5,4% da produção de soja e de +25,9% da produção de milho. Vale lembrar que a agropecuária apresenta cerca do dobro da importância para a economia gaúcha (10%) em relação à média brasileira (5,4%), segundo os dados de 2017. Logo, impulsos vindos das atividades do setor reverberam de maneira mais intensa no Rio Grande do Sul.

Indústria (+5,7%): para termos uma ideia das atividades que geraram as maiores contribuições, recorremos às estatísticas da Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE. Nessa base de comparação, os ramos que exerceram a maior relevância para o agregado foram: veículos automotores, reboques e carrocerias (+40,6%), outros produtos químicos (+17,8%), produtos de metal (+14,6%) e máquinas e equipamentos (+8,6%).

Construção civil (+0,1%): primeira variação positiva após 20 trimestres consecutivos de queda. No entanto, setor ainda está 22,9% abaixo do seu pico pré-crise, atingido no terceiro trimestre de 2013. A recuperação letárgica do mercado de trabalho, a incapacidade dos governos de realizar investimentos por conta de desequilíbrios fiscais, e a reestruturação de grandes empresas pós “Operação Lava-Jato” são algumas das causas.

Comércio (+2,0%): vale lembrar que o DEE utiliza para estimar o PIB, como uma de suas principais fontes, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). Por definição metodológica, o levantamento não consegue capturar adequadamente a dinâmica dos estabelecimentos com menos de 20 funcionários. De qualquer forma, entendemos que vetores como a inflação bem-comportada e os juros em baixa, aliados à recuperação lenta da massa de salários, ajudaram o segmento.

Serviços (+2,0%): principal destaque foram os serviços de informação (+5,1%), que incluem Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), audiovisuais, de edição e agências de notícias.