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MARÇO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

A mediana das previsões envolvendo o crescimento econômico do Brasil em 2020 caiu de +1,68% para +1,48% em 2020, enquanto a variação esperada para o IPCA desacelerou de +3,10% para +3,04% nesse ínterim. Cremos, no entanto, que os números estão amplamente defasados, pois ainda não refletem a atual crise em todos as suas dimensões.

Recentemente, por exemplo, o Ministério da Economia divulgou a sua nova estimativa para o PIB no presente ano, de +0,02%, por meio da atualização do relatório orçamentário de 2020. Além disso, diversas instituições financeiras sinalizam para uma perda de tração muito forte da atividade econômica frente às expectativas anteriores. Em alguns casos, as leituras já apontam para uma recessão, conforme a tabela abaixo.

Diante do enfraquecimento considerável do poder de compra da população, determinado pela menor capacidade de geração de renda e de emprego, o IPCA tende a ser bem mais baixo. Tal fato, consequentemente, abriria espaço para que o Banco Central lançasse mão de novos cortes na Taxa SELIC, apesar da sinalização dos membros do COPOM de que os juros básicos da economia serão mantidos no patamar de 3,75% ao ano nos próximos meses.

Após a aprovação do estado de calamidade pública por parte do Senado, o governo, fazendo uso do dispositivo da Lei de Responsabilidade Fiscal, poderá fechar o ano com um rombo orçamentário superior à meta de déficit primário de R$ 124,1 bilhões. Além dos gastos para atenuar os efeitos da pandemia sobre famílias e empresas, vale lembrar que a arrecadação de impostos é pró-cíclica: se o PIB cresce menos, a receita tributária também é menor.

Apesar de todas as medidas de injeção de liquidez em escala mundial, com destaque para o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve), a tendência é de que o Dólar se mantenha forte pelo menos no curto prazo, enquanto a incerteza com relação ao futuro suscitar proteção em moeda americana. 

Análise especial – a visão do COPOM sobre o atual estágio da economia

Na visão do COPOM, a pandemia do COVID-19 apresenta deprime significativamente o crescimento global e local, de modo que as medidas fiscais e monetárias mitigam apenas uma parte desses efeitos contracionistas. Se, por um lado, o Brasil não apresenta grande integração às cadeias produtivas internacionais e o impacto da queda das commodities deve ser relativizado por conta da ampla variabilidade diária, as quarentenas devem implicar em forte desaceleração dos preços, fruto da deterioração da demanda. Foi com base nesse diagnóstico, apesar da escassez de dados oficias de curto prazo, que o COPOM justificou a redução de 0,50 ponto percentual da Taxa SELIC. Um recuo superior a esse patamar, na visão dos membros do Comitê, poderia gerar um aperto das condições financeiras, com resultado oposto à desejável promoção de estímulos.

Os membros citaram que a variância dos cenários prospectivos subiu, e que enxergam como adequada a manutenção dos juros no atual patamar. Entretanto, a partir da divulgação de novos dados, podem vir a alterar a trajetória descrita. Reforçamos que, na nossa visão, flexibilizações adicionais da política monetária são muito prováveis no futuro próximo.

 

IPCA registra o menor patamar para fevereiro em 20 anos

O IPCA teve avanço de +0,25% em fevereiro sobre janeiro. Trata-se da menor variação para o período desde o ano 2000 (+0,13%). Ainda assim, o resultado veio acima do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central: +0,15% em ambos os casos.

Alguns fatores pontuais ajudaram a puxar o agregado para baixo, como: (i) a nova acomodação dos preços das carnes no mercado doméstico; (ii) a bandeira verde da tarifa de energia elétrica, responsável pelo barateamento das contas de luz; (iii) os reajustes, inferiores à média histórica, dos cursos de educação. Do ponto de vista estrutural, a enorme capacidade ociosa, tanto de mão de obra quanto de maquinário instalado nas indústrias, mantém o índice oficial de inflação do Brasil bem-comportado. Esse fenômeno também atua para impedir o repasse mais significativo da depreciação da taxa de câmbio para os consumidores finais.

Já no acumulado em 12 meses, o IPCA diminuiu de +4,19% em janeiro para +4,00% em fevereiro, nível que coincide com a meta definida para 2020. Todavia, a partir da saída da leitura de março de 2019 (+0,75%) no mês que vem, essa métrica deverá desacelerar de forma importante, para algo próximo a +3,3%.

As últimas semanas foram marcadas pela deterioração das projeções de crescimento do PIB mundial e nacional em 2020, em função das restrições impostas pelo coronavírus. Além disso, o viés é negativo para as próximas semanas. Diante do impacto contracionista sobre a renda e o emprego dessa conjuntura, a capacidade dos empresários em repassar o aumento dos custos relacionados ao Dólar mais alto e ao desabastecimento de certas matérias primas é menor, gerando o estreitamento das margens de lucro dos negócios.

Abertura dos dados do IPCA por grandes grupos: a próxima tabela compara os números dos principais grupos de produtos que compõem o IPCA nos meses de janeiro e fevereiro de 2020.