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MARÇO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: projeções para o PIB em 2019 e 2020 caem; Taxa SELIC não deve subir tanto no ano que vem

As expectativas para o PIB do Brasil em 2019 foram cortadas pela quarta semana seguida. Agora, os analistas esperam variação de +2,00%, levemente abaixo do consenso de mercado do dia 15/03: +2,01%. Caso a estimativa mais recente venha a se materializar, será a maior taxa já registrada desde 2013 (+3,0%). Entretanto, convém lembrar que o País enfrentou sua maior recessão em mais de 100 anos entre o segundo trimestre de 2014 e o último trimestre de 2016, com queda acumulada da atividade econômica de aproximadamente 8,0% no período. Diante de tão profunda crise, a retomada cíclica deveria ser bem mais intensa em relação à dinâmica apresentada até o momento.

Quando abertas por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as novas estatísticas apontam que o processo de aceleração da renda ao longo de 2019 ganhará menos ímpeto no primeiro (de +1,30% para +1,20%), no segundo (de +2,00% para +1,93%) e no terceiro (de +2,30% para +2,20%). Entre outubro e dezembro, a mediana permaneceu em +2,80%.

Após sucessivas altas nas últimas semanas, a previsão para o PIB de 2020 caiu de +2,80% para +2,78%. Acreditamos que a diferença de aproximadamente 0,8 ponto percentual entre os valores calculados para esse e o ano que vem incorpore os efeitos defasados da aprovação de reformas estruturais, como a da Previdência, sobre a atividade econômica.

Com relação às demais variáveis macroeconômicas contempladas pelo Relatório FOCUS, o destaque foi a nova redução da estimativa da Taxa SELIC para o fim de 2020 (de 7,75% ao ano para 7,50% ao ano). Esse corte é consistente com a persistência de uma capacidade ociosa (maquinário e mão de obra) ainda relevante no ano que vem e, possivelmente, como resposta de determinadas medidas, incluindo o encolhimento da carteira de crédito subsidiado do BNDES, o cadastro positivo, o incentivo a participação de fintechs por parte do Banco Central, entre outras.

 

  • Decisão do COPOM: Taxa SELIC mantida em 6,5% ao ano

A conjuntura econômica e os cenários prospectivos para a o Brasil e o mundo são periodicamente avaliados com o intuito de determinar a taxa básica de juros (SELIC). Em primeiro lugar, o balanço de riscos da inflação continuou benigno desde o encontro realizado em 05 e 06 de fevereiro: apesar da leve aceleração, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses permaneceu abaixo da meta de 4,25% na passagem de janeiro para fevereiro. No tocante às expectativas, a mediana das previsões de mercado do Relatório FOCUS, do Banco Central, caiu ligeiramente desde a última reunião do COPOM: de 3,93% para 3,89%.

Por sua vez, os primeiros indicadores sobre o nível de atividade mostram a persistência do quadro de expansão lenta da economia no começo do presente ano. Aliados às estimativas de menor crescimento do mundo em 2019, esses resultados motivaram os participantes do Relatório FOCUS, do Banco Central, a cortar em praticamente 0,5 ponto percentual a projeção para o PIB no presente ano (de 2,50% em 05 de fevereiro para 2,01%). Logo, a tendência é de que a demanda seja menos pressionada do que o antecipado anteriormente, tornando o ritmo de preenchimento da capacidade ociosa existente ainda mais gradual.

Pelo lado do cenário internacional, Bancos Centrais de vários países, como Austrália, Japão, China e Zona do Euro adotaram uma postura mais firme de suporte à atividade econômica pelo canal da política monetária, em um movimento semelhante ao Federal Reserve, dos Estados Unidos. Essa abundância de recursos favorece a valorização dos ativos de países emergentes, como o Brasil, reduzindo juros e valorizando a taxa de câmbio.

Diante dessa análise, acreditamos que o Banco Central optará pela manutenção da Taxa SELIC em 6,5% ao ano no encontro de hoje, previsão que está em linha com a do mercado.

Observação: o COPOM, de fato, manteve a Taxa SELIC em 6,5% ao ano.