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JUNHO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

Destaque: o consenso do mercado espera agora mais uma redução da Taxa SELIC, de -0,25 ponto percentual, no encontro de agosto do COPOM. Como resultado, os juros básicos da economia passarão de 2,25% ao ano para 2,00% ao ano. Esse patamar deve se manter até junho do ano que vem, de acordo com a trajetória calculada pelos analistas, quando se inicia um processo gradual de ajuste da política monetária, coerente com a aceleração prevista da atividade. Ainda assim, o balizador do custo das operações de crédito encerrará 2021, conforme essa perspectiva, em apenas 3,00% ao ano.

Resumo para o Brasil:

  • Maior recessão desde 1901 em 2020, e devolução de, aproximadamente, metade das perdas em 2021.
  • Arrefecimento da inflação, diante do quadro de fraqueza da demanda;
  • Política monetária de estímulo à atividade;
  • Taxa de câmbio em níveis mais altos, dadas as incertezas sobre o coronavírus e os juros estruturalmente menores;
  • Rombo histórico das contas da União, estados e municípios, em decorrência do forte aumento de gastos para amenizar o impacto da COVID-19, além dos danos à arrecadação de impostos.

Panorama econômico – Fundo Monetário Internacional

O PIB global deverá recuar -4,9% em 2020, ou seja, 1,9 ponto percentual a menos do que o antevisto no mês de abril, em função da influência da COVID-19 sobre a demanda e a oferta. No que diz respeito à primeira, o consumo das famílias foi bastante afetado pelas seguintes razões: (1) distanciamento social; (2) destruição de renda; e (3) diminuição da confiança / formação de poupanças precaucionais. Consequentemente, a dinâmica dos serviços foi duramente atingida.

Já no que se refere à produção, vários investimentos foram cancelados, por conta: (1) do congelamento de muitos pedidos; (2) das disrupções das cadeias de suprimentos; e (3) das dúvidas sobre a capacidade de geração de lucros nos exercícios vindouros.

Como a crise abrange todos as nações, o comércio internacional tem importante parcela de explicação na atenuação do crescimento. A expectativa é de que os prejuízos somem -11,9% em 2020 frente a 2019. Ademais, a inflação caiu nos próximos períodos de tempo, em linha com a contenção projetada do PIB e dos preços bem-comportados das commodities.

A ação dos governos, tanto do ponto de vista monetário quanto fiscal, foi fundamental para melhorar as condições nos mercados financeiros e limitar as avarias à economia. Contudo, isso causará um incremento relevante dos déficits e do endividamento em 2020 e 2021.

 

Confiança dos consumidores brasileiros registra segundo aumento consecutivo em junho

As variáveis que procuram monitorar a percepção dos agentes sobre os rumos da economia são ferramentas relevantes para a análise da conjuntura e para a construção de cenários. Quanto mais desfavoráveis os indicadores, menor tende a ser a força do nível de atividade, e vice-versa. O sentimento coletado junto às famílias, especificamente, é uma das principais causas explicativas da dinâmica do comércio varejista.

A sondagem de junho, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ocorreu entre 01 e 22 de junho, com 1.810 entrevistas em todo o território nacional. Os resultados, com o devido ajuste sazonal, sinalizam que o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), após alta de 3,9 pontos em maio, acelerou os ganhos em junho (+9,0 pontos), totalizando 71,1 pontos. Portanto, a leitura é de que o quadro pessimista persiste, embora menos intenso, uma vez que os 100 pontos representam a neutralidade.

Todavia, quando em perspectiva, as estatísticas mostram que apenas 44% das perdas foram devolvidas desde o tombo histórico verificado no bimestre março-abril. Consequentemente, o patamar da série permanece muito baixo. Os dados apresentam dois subcomponentes: situação atual e expectativas. O entendimento a respeito do primeiro subiu 65,0 para 70,6 pontos na passagem de maio para junho, enquanto o segundo puxou o agregado para cima: de 61,7 pontos para 72,8 pontos.

COMENTÁRIOS E EXPECTATIVAS:

O movimento de junho foi afetado pelo relaxamento das medidas de isolamento social em diversas localidades, trazendo melhores avaliações no tocante à saúde dos orçamentos domésticos. Contudo, as dúvidas sobre a evolução da COVID-19, seus impactos sobre a ocupação e a renda, além de eventuais instabilidades políticas podem colocar em xeque a continuidade desse processo no futuro, pois há muitas incertezas permeando o panorama.

Por um lado, a provável prorrogação do auxílio emergencial (coronavoucher), ainda que com pagamentos decrescentes, deve ser uma importante forma de sustentação do poder de compra. Por outro, acreditamos que a recuperação lenta e irregular promoverá novas mudanças no mercado de trabalho, elevando o desemprego e deteriorando o balanço financeiro das famílias.