Gaúchos vão às compras para enfrentar o calor

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JANEIRO, 2019

Notícias

Vendas de aparelhos de ar-condicionado devem crescer cerca de 10%

O forte calor que marcou a virada de ano no Rio Grande do Sul levou os gaúchos às compras. Nas lojas, a semana passada foi marcada pela procura por alternativas às altas temperaturas – em especial, condicionadores de ar e ventiladores. Mesmo sem dados oficiais, entidades estimam que o crescimento nas vendas dos produtos passe de 10% ante 2018, contando com o empurrão dado pelo calor, que ultrapassou os 40 °C nos primeiros dias de 2019.

“Já estava planejada a compra, mas o calor deu um incentivo a mais”, conta a porto-alegrense Krisle Ferreira, que, na sexta-feira, pesquisava preços de aparelhos de ar-condicionado em lojas do Centro da Capital. O motivo inicial da busca, segundo Krisle, foi a mudança de residência, mas os planos acabaram acelerados pela dificuldade em conseguir dormir à noite. Na quinta-feira da semana passada, em Porto Alegre, a temperatura ficou acima dos 30°C durante praticamente toda a madrugada, segundo a Metsul Meteorologia, nível atípico para o horário.

Assim como para Krisle, o abafamento fora de hora acaba sendo um disparador nas compras também para outros consumidores, segundo o diretor do Núcleo de Varejo da Câmara de Dirigentes Lojistas da Capital (CDL POA), Geovane Konrath. “O calor que vende não é o do dia, mas o da noite. Quando a noite é muito quente, as pessoas não têm um sono tranquilo, e, no outro dia, a procura pelo produto é fora de série”, conta Konrath, que é também gerente regional da Magazine Luiza no Estado. O estoque, comenta o diretor, já foi planejado durante o inverno, para evitar ter de correr atrás durante o verão. “Se deixar para a última hora, não aproveita as vendas dos dias quentes”, argumenta.

Nas lojas, o movimento cresceu junto com as temperaturas. “Tivemos uma virada considerável com o calor, um volume maior de gente em busca de ar-condicionado do que no ano passado”, comenta o gerente de loja da CR Diementz, Marco Olívio, que, por outro lado, argumenta que a procura por ventiladores se manteve relativamente constante, menos impactada pelo mormaço. Outro fato que tem ajudado, segundo Olívio, é a temporada de ofertas do varejo, que se iniciou na semana passada. Gerente de loja da Taqi, Alexandre Correa, também acusa um aumento nas vendas graças ao clima. “O calor muito intenso reflete na linha de ventilação toda”, afirma o gerente, que acrescenta, ainda, as piscinas à lista.

Presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Paulo Kruse lembra que o termômetro é, também, um medidor de vendas. “No inverno, se baixa de 10°C, tem produtos que se sobressaem, como os aquecedores. E, no verão, passou de 30°C, também há uma procura louca por ar-condicionado”, comenta Kruse.

O interesse é comum entre ambos, ainda, por fugir da normalidade do setor. “São vendas de impulso, que as pessoas estão sofrendo e resolvem comprar”, argumenta Kruse, que acredita que as vendas de condicionadores de ar superem em até 15% as expectativas iniciais, descolando do ritmo dos outros produtores vendidos pelo varejo.

 

*Fonte: Jornal do Comércio
*Foto: Luiza Prado – Jornal do Comércio