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Novas projeções econômicas do FMI: o que os números querem dizer?

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OUTUBRO, 2018

Notícias

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou suas projeções mais atualizadas para importantes variáveis macroeconômicas do Brasil e do mundo na última semana. Estas estimativas ajudam a traçar o cenário esperado pelos analistas do órgão, no âmbito nacional e internacional, para os próximos meses.

Em primeiro lugar, a taxa de crescimento econômico mundial deverá desacelerar de 3,9% em 2018 e 2019, conforme levantamento de julho, para 3,7%, neste ano e no próximo. Além das incertezas no âmbito do comércio de bens e serviços, sobretudo envolvendo as disputas entre Estados Unidos e China, o processo de elevação das taxas de juros americanas pesa negativamente sobre as nações menos desenvolvidas. Como os EUA se tornam relativamente mais atrativos para a entrada de capitais, as moedas dos emergentes enfraquecem em relação ao Dólar, bem como os respectivos mercados acionários. Consequentemente, o risco e as taxas de juros tornam-se mais altas, encarecendo o crédito para o consumo, para os investimentos produtivos e para a tomada de dívida por parte de empresas públicas e privadas.

O avanço do PIB esperado para 2018, no Brasil, caiu de 1,8% para 1,4%, e de 2,5% para 2,4%, em 2019. As revisões se deram por conta do efeito da greve dos caminhoneiros e pela própria deterioração do cenário internacional, que tornou as condições financeiras menos favoráveis. Ainda que sem a menção explícita, as incertezas oriundas do processo eleitoral também contribuíram para fomentar a cautela nas famílias e nos empresários, postergando suas decisões de consumo e de investimentos.

Quanto mais lento é o crescimento da economia, menor é a expectativa para a geração de empregos e para a normalização do mercado de trabalho, cuja ociosidade, medida pela taxa de desemprego, ainda é muito grande. A arrecadação do governo também tende a ser menor, o que pressiona os indicadores de endividamento público e, por sua vez, as taxas de juros. Por fim, o avanço mais lento da renda também está associado ao menor otimismo dos consumidores e à concessão de menos crédito, fatores essenciais para as vendas do comércio varejista.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 


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