O novo cenário para seus investimentos a partir do recuo da Taxa SELIC

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DEZEMBRO, 2019

Notícias

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (COPOM) optou por cortar novamente a Taxa SELIC, de 5,00% para 4,50% ao ano, renovando, uma vez mais, seu piso histórico. A queda acumulada desde 2016, quando os juros básicos da economia alcançavam 14,25% ao ano, é de, praticamente, 10 pontos percentuais. A despeito do patamar baixo para padrões brasileiros, a inflação permanece sob controle, o que abre espaço para a sustentação desse cenário por um período de tempo prolongado. Esse fenômeno traz uma série de implicações, entre as quais a reprecificação dos investimentos financeiros.

Para se ter uma ideia, a caderneta de poupança, ainda muito utilizada nos dias de hoje, perdeu atratividade. De acordo com a regra atual, a rentabilidade é de 70% da Taxa SELIC mais a Taxa Referencial (TR). Hoje, portanto, é de 3,15% ao ano, ou 0,26% ao mês, aproximadamente. Considerando as projeções de mercado para os juros e o IPCA para o ano que vem do Relatório FOCUS, do Banco Central, o retorno real (descontando a inflação) esperado para boa parte de 2020 estará no campo negativo, conforme o gráfico a seguir. Ou seja, quem optar por essa alternativa perderá dinheiro.

Diante desse quadro, o movimento de migração da renda fixa para a renda variável tem ganhado cada vez mais força. O gráfico abaixo mostra o índice IBOVESPA e a taxa real de juros de mercado pré-fixada com prazo de 360 dias. Cada ponto representa um valor para ambas as variáveis ao longo de 2019. Existe uma clara correlação negativa entre ambas, de modo que juros reais menores estão associados a ganhos do IBOVESPA.

Essa dinâmica é extremamente benigna para o futuro do país, pois significa um fortalecimento de empreendimentos que geram emprego e renda – mercado de ações, startups ou mesmo negócios próprios, por exemplo – em detrimento do rentismo. Portanto, os investidores precisarão buscar outras formas para fazer com que seu capital cresça mais. Como essas opções envolvem, necessariamente, algum risco, o processo deve ser bem executado, seja através da aquisição de conhecimento próprio dos instrumentos disponíveis ou via delegação da responsabilidade de gestão para profissionais.

Abaixo, uma breve lista do que você precisa considerar na hora de realizar um investimento:

  • Estou disposto a correr riscos? Quanto maior essa propensão, maior é a possibilidade de obter ganhos acima dos padrões de mercado; por outro lado, a probabilidade de auferir perdas também aumenta;
  • De quanto tempo disponho? Quanto maior o prazo da aplicação, maior tende a ser o retorno;
  • Posso precisar do capital a qualquer momento? A liquidez determina o quão rápido é possível reverter o investimento em dinheiro na conta corrente, pois, em alguns casos, existe carência.

Por fim, ressalta-se a importância de diversificar a carteira, com o intuito de mitigar eventuais riscos. Não existem milagres no mercado financeiro, e promessas de ganhos exagerados nunca podem ser encaradas com seriedade.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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