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Por que mais pessoas poupam na Região Sul em comparação com a média brasileira?

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JANEIRO, 2019

Notícias

Pesquisa recente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) acusou que 27,3% dos entrevistados na Região Sul guardam dinheiro com o intuito de comprar algum bem ou investir. Trata-se, segundo o levantamento, de uma proporção maior do que a média nacional, de 25%. A diferença entre ambos os recortes, que pode parecer pequena em uma primeira análise, apresenta relevância estatística, uma vez que a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A teoria econômica dá suporte à conexão existente entre poupança e renda: quanto maior a última, maior tende a ser a primeira. Dados sobre a remuneração dos trabalhadores vêm ao encontro dessa relação. De acordo com as informações da PNAD Trimestral, do IBGE, o rendimento médio mensal ao longo do período de 12 meses encerrado em setembro de 2018 foi de R$ 2.517,3 para os estados da Região Sul: cifra superior em comparação com o total do Brasil (R$ 2.301,5). Todos os valores foram devidamente deflacionados pelo INPC, com o objetivo de tornar as comparações mais adequadas.

Uma das razões que podem explicar esse fenômeno diz respeito à maior formalização do trabalho na Região Sul, em relação à média nacional. Caso sejam selecionados os tipos de ocupação formais da PNAD Contínua, incluindo iniciativa privada, empregados domésticos e aqueles que integram o setor público (militares, estatutários e CLT’s), é possível criar um “índice de formalização”. No caso da região Sul, 53,7% do total de pessoas ocupadas estavam encaixadas nesse perfil no terceiro trimestre de 2018, e apenas 47,5% para o total do Brasil.

Para elevar o contingente de pessoas que realizam poupança no futuro, é necessário: (1) melhorar o nível de qualificação da mão de obra para viabilizar oportunidades de trabalho com maiores salários; (2) acelerar reformas que destravem o crescimento econômico, incluindo o equilíbrio das contas públicas, reforma tributária, concessões/privatizações e abertura comercial e (3) investir na educação financeira, sobretudo junto aos mais jovens.

Observação: os dados sobre rendimento médio mensal correspondem ao valor efetivamente recebido, considerando todos as ocupações.

 

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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