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Por que o mercado passou a apostar em queda da Taxa SELIC já em 2019?

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JUNHO, 2019

Notícias

O Relatório FOCUS, que reúne as projeções das principais variáveis macroeconômicas do Brasil, realizadas por aproximadamente 150 equipes de instituições financeiras e de consultorias, registrou uma alteração significativa no dia 14/06 em comparação com a segunda-feira anterior. As expectativas para a Taxa SELIC diminuíram de 6,50% ao ano para 5,75% a.a. até o encerramento de 2019. Logo, espera-se que os juros básicos da economia não se mantenham mais no atual patamar até dezembro, mas cedam em 0,75 ponto percentual. É possível elencar três motivos que fundamentam essa nova percepção por parte do mercado.

  • Balanço de riscos positivo para a inflação: a variação do nível geral de preços, medida pelo IPCA, segue em patamares muito bem-comportados. Estruturalmente, o índice reage à grande capacidade ociosa da economia herdada da grande crise de 2015-2016. Todavia, o processo de recuperação cíclica da renda tem enfrentado uma série de dificuldades, o que acarretou em queda do PIB no primeiro trimestre, segundo o IBGE, e no recuo do índice de atividade do Banco Central em abril. Ainda assim, o IPCA sofreu alguma pressão nos primeiros meses do ano, fruto das altas registradas em alguns alimentos e nos combustíveis. Após o fim desses choques negativos, a variação em maio (+0,13%) foi a mais baixa para o mês desde 2006. No tocante às expectativas, a mediana das previsões aponta hoje 3,84%, abaixo, portanto, do centro da meta de 4,25%.
  • Perspectiva de aprovação da Reforma da Previdência: a alteração na regra de acesso aos benefícios previdenciários, principal responsável pelo aumento os gastos públicos, ajuda a reduzir as pressões de demanda sobre os preços no médio e no longo prazo. No curto prazo, a PEC auxilia na redução dos prêmios de risco relacionados aos investimentos na economia brasileira, contribuindo para a valorização da taxa de câmbio e para juros mais baixos.
  • Novo ciclo de injeção de liquidez no mundo: a Zona do Euro e nações como a China renovaram seu arsenal de medidas no âmbito monetário nos últimos meses, com o intuito de evitar uma queda mais significativa das suas taxas de crescimento no futuro próximo. Ademais, as apostas envolvendo a redução dos juros nos Estados Unidos ainda em 2019 ganham cada vez mais força. De uma maneira geral, esse excesso de liquidez no front internacional busca alternativas mais rentáveis em outros lugares, como o Brasil, o que também nos favorece.

Como a Taxa SELIC é o balizador (referência) do custo do crédito no País, a tendência é de que as operações se tornem mais baratas, tanto para o consumo quanto para os investimentos. Diante do cenário mais favorável, o COPOM encontra espaço para um maior fôlego maior para a economia, sem comprometer, pooutro lado, a estabilidade do poder de compra da moeda.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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