Quais os desafios a serem enfrentados pelo novo Presidente da República?

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OUTUBRO, 2018

Notícias

Após os resultados das eleições de outubro, é hora de traçarmos prognósticos para o futuro da nossa economia. No âmbito federal, o governo Jair Bolsonaro depende da aprovação de uma série de reformas estruturantes para acelerar o crescimento econômico, sem as quais não será possível destravar o consumo e os investimentos, responsáveis pela geração de emprego e renda. As principais medidas estão listadas abaixo.

1) Equilibrar as contas públicas
A reforma da Previdência é fundamental para conter os gastos do Setor Público: considerando o rombo da União, estados e municípios, o déficit alcançou R$ 309,2 bilhões em 2017. Ademais, o rápido envelhecimento da população e as atuais regras de acesso aos benefícios fazem com que as despesas previdenciárias aumentem em torno de R$ 50 bilhões a cada ano.

2) Aumentar as concessões/privatizações
A deterioração das contas públicas do governo também reduz consideravelmente o espaço do orçamento para investimentos. Logo, é necessário criar condições para que o setor privado participe ativamente do processo de melhoria da infraestrutura do Brasil, com o objetivo de reduzir custos.

3) Melhorar o ambiente de negócios
A redução da burocracia e dos regulamentos é fundamental para destravar a atividade econômica no Brasil. De acordo com Doing Business mais recente, do Banco Mundial, estamos apenas na posição 125 entre 190 países no tocante à facilidade de realização dos negócios.

4) Reforma tributária
Além de promover a simplificação tributária, precisamos adequar nosso sistema às melhores práticas do mundo. Há excessiva tributação sobre bens e serviços, o que reduz a competitividade das mercadorias, de acordo com o comparativo internacional, enquanto a renda e o lucro são proporcionalmente bem menos onerados.

5) Promover a abertura comercial
Segundo o Banco Mundial, o Brasil registrou o terceiro menor grau de abertura para o comércio exterior do mundo em 2016 (24,6%). Logo, é necessário investir em acordos bilaterais com mercados relevantes, visando aumentar as exportações e as importações.

6) Elevar o nível de capital humano
O novo governo precisa inverter a atual lógica de gastos: hoje, praticamente 2/3 dos recursos destinados em educação são alocados no ensino superior, e apenas 1/3 no ensino básico. Inúmeros trabalhos acadêmicos, sobretudo do economista James Heckman, vencedor do prêmio Nobel, comprovam a importância do investimento em educação básica.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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