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Quais os efeitos da redução da Taxa SELIC sobre a economia?

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SETEMBRO, 2019

Notícias

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (COPOM) reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira em meio ponto percentual. Como resultado, a SELIC renovou sua mínima histórica, saindo de 6,00% ao ano para 5,50% ao ano. Além disso, ao que indicam as 5 instituições de maior assertividade nas previsões consultadas pelo Relatório FOCUS, a expectativa é de novos cortes até o fim de 2019, para 4,75% ao ano.

A política monetária repercute sobre a estrutura produtiva e financeira de diversas formas, através dos chamados canais de transmissão. O presente artigo tem como objetivo analisar de que forma a diminuição do custo do dinheiro ao longo do tempo repercute sobre os diversos agentes econômicos.

  • Barateamento do custo de crédito para as famílias, empresários e o governo;

Quanto menor a Taxa SELIC, mais barata é a tomada de dívida para consumo, investimentos e o financiamento dos déficits fiscais, ou seja, gastos públicos superiores à arrecadação de impostos.

  • Aumento da viabilidade econômica dos projetos de investimento;

Os juros representam o custo de oportunidade do investimento. Até a semana passada, os projetos com retorno inferior a 6,00% ao ano não eram rentáveis, pois esse mesmo rendimento poderia ser obtido via mercado financeiro, com riscos muito baixos. A partir do recuo da SELIC, planos de negócios com rentabilidade entre 5,5% e 6,0% ao ano tornaram-se viáveis, favorecendo a geração de emprego e renda.

  • Migração dos capitais aplicados em renda fixa para renda variável;

A queda da remuneração da poupança e de outros ativos de renda fixa aumenta a procura por educação financeira, de modo que outras alocações (ações, fundos imobiliários, derivativos) sejam mais demandadas por pessoas físicas e jurídicas. O mercado financeiro, ainda muito pouco explorado no Brasil em relação a diversos países, é fundamental para ajudar na geração de crescimento sustentado.

  • Redução do “carry-trade”, ou seja, menos poupadores tomam recursos no exterior, a taxas de juros mais baixas, para aplicar no Brasil, onde os ganhos deixam de ser tão atrativos. Esse fenômeno produz um efeito colateral sobre a taxa de câmbio via desvalorização da cotação, ou seja, são necessários mais Reais para comprar um Dólar. Nesse caso, os exportadores são beneficiados, enquanto as despesas com os importados se torna maior.

De uma maneira geral, portanto, toda a vez em que a Taxa SELIC cai, a atividade econômica é estimulada. Além disso, existe um incentivo a eficiência, de modo que mais recursos saiam de aplicações financeiras e busquem a economia real.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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