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Qual a assertividade das previsões do PIB contidas no Relatório FOCUS?

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JULHO, 2019

Notícias

O Produto Interno Bruto (PIB) é uma das variáveis mais importantes para medir a atividade econômica de uma determinada localidade. Logo, boas previsões ajudam a fornecer elementos importantes para a tomada de decisão em diferentes esferas, incluindo a iniciativa privada e o governo. O objetivo desse texto é analisar a qualidade das projeções do PIB do Brasil, diante das expectativas construídas pelos participantes do Relatório FOCUS, do Banco Central, ao fim de junho de cada um dos últimos 20 anos.

No encerramento do primeiro semestre, os analistas de mercado dispõem do dado oficial do primeiro trimestre. Ademais, já existe um conjunto de outros indicadores setoriais bastante vasto para o mês de abril, e, em menor escala, para maio. Ainda assim, os números previstos para o PIB anual, em muitas vezes, diferiram do resultado efetivo, conforme o gráfico abaixo.

É possível separar o gráfico acima em dois momentos. Entre 1999 e 2013, antes do agravamento da crise econômica, o mercado havia superestimado o crescimento em apenas 3 oportunidades: 2001, 2003 e 2012. Nos outros anos, portanto, as surpresas foram positivas. Esse período ficou caracterizado pela (i) conjuntura internacional favorável; (ii) efeitos defasados de reformas; e (iii) boa condução da política econômica até 2010.

Todavia, nos últimos 5 anos, ou seja, em um período bem mais curto comparado ao anterior, já foram 3 variações superestimadas: 2014, 2015 e 2018. A justificativa para esse resultado passa pela evolução recente da economia, marcada pela recessão mais profunda e pela retomada mais lenta em mais de 100 anos de estatísticas.

Para 2019, existe uma incógnita. Em 24 de junho, os analistas esperavam alta de +0,87% para o PIB. Hoje, o número está em +0,81%. Se, por um lado, a atividade ainda exibe sinais de fraqueza, o governo sinaliza com a liberação das contas ativas e inativas do FGTS e do PIS, por outro. Ademais, as decisões de consumo e de investimento podem ser afetadas positivamente em função da aprovação da Reforma da Previdência, embora o impacto seja provavelmente limitado para o corrente ano.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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