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Qual a visão dos empresários brasileiros sobre os seus negócios?

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JULHO, 2019

Notícias

A Boa Vista SCPC divulgou recentemente os últimos resultados da Pesquisa “Perspectiva Empresarial”, realizada com mais de 1.000 entrevistados de todo o Brasil a cada trimestre. Trata-se de um levantamento útil para medir o sentimento dos empresários sobre algumas das variáveis mais importantes dos seus negócios, tais como: novos investimentos, faturamento, inadimplência, endividamento e busca por crédito. Todos os dados estão segmentados para indústria, comércio e serviços, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em primeiro lugar, houve um desaquecimento da intenção de investir no próprio negócio. Ou seja, na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2019, o percentual de respondentes otimistas caiu nas três alocações – “pessoal e força de trabalho”, “novos produtos e serviços” e “tecnologia” – e para os três ramos de atividade investigados. A única exceção ficou por conta da alternativa “tecnologia” para o comércio, que passou de 51% para 58%, conforme o gráfico abaixo.

Por sua vez, o panorama para o faturamento em 2019 também piorou. Enquanto a indústria teve recuo de 77% no segundo trimestre de 2018 para 56% entre abril e junho do presente ano, o comércio (65% para 61%) e para os serviços (69% para 56%) também regrediram nessa base de comparação. A leitura dessas estatísticas é condizente com a deterioração da expectativa sobre a inadimplência, que aumentou de 12% para 28% para a indústria, de 14% para 21% no comércio, e de 15% para 22% nos serviços.

Mas nem todas as notícias trazidas pela pesquisa são ruins. A busca por crédito aumentou 18 pontos percentuais na indústria e 4 pontos percentuais no comércio. Já para os serviços, diminuiu de 40% para 33%. Entre os motivos que justificam essa maior demanda no comércio estão os novos investimentos (47%), alavancagem de capital de giro (45%) e pagamento de empréstimos (8%).  

De uma maneira geral, os resultados estão em linha com a recuperação muito lenta da atividade econômica do Brasil. Dados oficiais do IBGE apontam para uma retração de 0,2% do PIB no primeiro trimestre de 2019 ante o quarto trimestre de 2018, na série com ajuste sazonal. Ademais, vários indicadores disponíveis para o segundo trimestre mostram que esse processo não teve ganho de tração, o que naturalmente frustra o desempenho de variáveis diretamente ligadas à situação financeira das firmas.

Da mesma forma, convém chamar a atenção para o rebaixamento dos percentuais da indústria apontados pela pesquisa em alguns casos, como, por exemplo, a intenção otimista de investimentos em “novos produtos e serviços”, que passou de 71% para 44%. O setor secundário segue com grande dificuldades, uma vez que seu desempenho já vem bem abaixo das outras categorias nos últimos anos. No auge da crise, entre 2014 e 2016, a produção de bens e serviços finais da indústria caiu 11,5%, muito mais do que a média da economia, de 6,2%. A tragédia de Brumadinho, a redução da demanda externa, principalmente da Argentina, e a continuidade do ajuste na construção civil são alguns dos fatores que vêm limitando a recuperação no curto prazo.

Segundo o Relatório FOCUS, do Banco Central, os analistas de mercado apontavam, no início do ano, que o PIB iria crescer 2,53% em 2019. Contudo, o número atual, do dia 19/07, está em +0,82%. A maior revisão se deu para a indústria, cuja taxa deverá encerrar o ano em apenas +0,48%, e não mais +2,80%. No caso dos serviços, as estimativas passaram de +2,20% para +1,25%. Logo, as informações da Pesquisa da Boa Vista SCPC corroboram essa tendência.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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