Qual o balanço econômico de 2019 e as perspectivas para 2020?

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JANEIRO, 2020

Notícias

O ano de 2019, do ponto de vista econômico, foi de frustração de expectativas. De acordo com o Relatório FOCUS, do Banco Central, as previsões de crescimento do Brasil no mês de janeiro acusavam +2,5%, refletindo, entre outras variáveis, os índices de confiança de diversos setores, que, à época, estavam nos maiores patamares em 5 anos, depois da euforia com as eleições de outubro de 2018.

Todavia, a desaceleração global, a severa crise na Argentina, a tragédia de Brumadinho e o lento avanço das reformas no Congresso Nacional fizeram com que o desempenho do primeiro semestre não fosse nada animador, resultando em avanço de +0,8% frente a igual período de 2018, segundo o IBGE. Em meados de julho, após sucessivas revisões para baixo, o mercado passou a apostar na taxa supracitada para 2019 como um todo. Essa variação, inclusive, era inferior aos períodos imediatamente anteriores (+1,3% em 2017 e 2018).

A partir de setembro, o sentimento dos agentes econômicos melhorou, em função da liberação parcial das contas ativas e inativas do FGTS, responsáveis pela injeção de R$ 30 bilhões no caixa das famílias em 2019, conforme cálculos do governo. Além disso, as novas regras de acesso aos benefícios previdenciários foram sancionadas pelo Presidente Bolsonaro após longa tramitação na Câmara e no Senado, e permitiram ao Comitê de Política Monetária (COPOM), alinhado ao movimento internacional, promover cortes adicionais da Taxa SELIC: de 6,50% ao ano para 4,50% ao ano. Agora, os juros reais, descontando a inflação, estão aquém de 1,0% ao ano, propiciando mais estímulos à atividade.

Muitos segmentos reagiram a essa conjuntura mais favorável, especialmente aqueles ligados ao mercado interno, como os serviços, o comércio e a construção civil. Por sua vez, a indústria de transformação teve que lidar com o arrefecimento da demanda externa. Em linhas gerais, o Brasil encerrará 2019 de maneira muito mais promissora em comparação com o início do ano.

A evolução de um amplo conjunto de indicadores evidencia os motivos pelos quais podemos esperar um 2020 melhor: inflação sob controle, manutenção de juros historicamente baixos, recuperação do mercado de crédito, sobretudo para pessoas físicas e do mercado de trabalho formal, embora em ritmo gradual.

Temos, ainda, os efeitos defasados do conjunto de reformas aprovadas desde 2016, como o controle dos gastos primários da União, a reforma trabalhista, o novo papel da Petrobras e do BNDES, a abertura do setor aéreo para o capital estrangeiro, o novo Cadastro Positivo, a regulamentação das Empresas Simples de Crédito (ESC’s), entre outras mudanças estruturais. Destaca-se também o programa de privatizações/concessões, com impactos benignos sobre a produtividade no médio e longo prazos.

Já os fatores que impedem uma retomada mais forte são: taxa de desemprego elevada, nível deprimido de investimentos em máquinas, equipamentos e construções, e a perspectiva de que o crescimento mundial não seja exuberante em 2020. O principal deles, porém, é o amplo desajuste das finanças públicas. Persistir na agenda de equilíbrio fiscal é absolutamente vital para o nosso futuro, com o objetivo de conter o tamanho da despesa e seu enrijecimento dentro dos orçamentos, que retira margem de manobra para outros dispêndios relevantes, como os investimentos.

No que tange ao Rio Grande do Sul, é importante ressaltar que não somos uma ilha em relação ao Brasil, ou seja, muito do que acontece aqui vem a reboque da conjuntura nacional. Em 2019, nossa expansão ficará acima da média das demais Unidades da Federação, refletindo a agropecuária – beneficiada, em parte, pelo efeito estatístico decorrente da estiagem de 2018 – e a indústria – catapultada por ramos pontuais, sobretudo veículos automotores, reboques e carrocerias –.

Para 2020, a tendência é de que o PIB gaúcho cresça menos do que o do Brasil, em virtude da base de comparação mais alta, da ausência de sinais que convirjam para uma supersafra de grãos, da grave situação das contas públicas estaduais e do envelhecimento da população, que faz com que dependamos mais de produtividade e eficiência.

Em suma, o sentimento para 2020 é de otimismo, ainda que moderado.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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