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Qual o custo para a economia brasileira da adoção da “Nova Matriz Econômica”?

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MAIO, 2019

Notícias

A chamada “Nova Matriz Econômica” contemplou uma série de políticas econômicas que promoveram o aumento da intervenção do Estado sobre a atividade econômica, de modo mais intenso entre 2011 e 2014. Algumas de suas características mais marcantes, do ponto de vista macroeconômico, foram a elevação considerável de gastos e dos subsídios concedidos a setores selecionados, além da tentativa de controle de preços, como a inflação, os juros e a taxa de câmbio. Já pelo lado microeconômico, as principais falhas estão descritas abaixo:

  1. Verticalidade: os incentivos direcionavam-se apenas para alguns segmentos, favorecendo grupos de pressão mais organizados e a criação de “campeões nacionais”;
  2. Temporalidade: algumas das iniciativas tinham prazo de duração de, no máximo, 4 anos. Esse desenho não afetava o cálculo de viabilidade econômica de projetos de investimento de médio e longo prazos, fundamentais para expandir a capacidade do país em crescer de forma sustentada;
  3. Constante mudança das regras do jogo: instituições instáveis geraram o afastamento dos capitais do Brasil e do exterior;
  4. Perda de eficiência / desestímulo a inovação: o governo incentivou o fechamento da economia, como, por exemplo, o programa “Inovar-Auto”, que estabelecia uma sobretaxa de 30% aos veículos importados.

Esse arcabouço de ideias, ao contrário dos supostos efeitos benéficos apregoados pelos seus defensores, causou forte desequilíbrio fiscal e a aceleração do nível geral de preços. Como resultado, o Banco Central, a partir de 2015, promoveu forte elevação da Taxa SELIC para conter a inflação. A irresponsabilidade na forma de condução da economia por parte do governo federal à época segue cobrando seu preço até hoje.

Para tentar estimar o custo da implementação da Nova Matriz Econômica, comparamos a evolução do PIB do Brasil com os países que compõem o grupo da Aliança do Pacífico: Chile, Colômbia, Peru e México. Entre 1996 e 2010, as taxas médias anuais de ambos foram iguais: 3,5%. No entanto, entre 2011 e 2018, a situação mudou drasticamente. Enquanto a Aliança do Pacífico manteve o mesmo ritmo, o Brasil sofreu uma desaceleração abrupta, para apenas 0,6% ao ano. Se mantivéssemos a mesma toada do período anterior, o Brasil não teria alcançado um PIB de R$ 6,8 trilhões em 2018, mas sim de R$ 8,56 trilhões. Ademais, se somarmos as perdas acumuladas apenas nesses últimos 7 anos, chegaremos a um total de R$ 7,9 trilhões, ou seja, valor que ultrapassa o montante de bens e serviços gerados pela nossa economia em 2018.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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