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Qual o impacto do tabelamento do frete para o comércio gaúcho?

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SETEMBRO, 2018

Notícias

O tabelamento do frete, determinado pelo governo para atender a uma demanda dos caminhoneiros durante a greve do mês de maio, atingiu negativamente todo o setor produtivo. Por conta da importância do tema, a Assessoria Econômica da CDL-POA resolveu estimar o impacto dessa política para o comércio do Rio Grande do Sul.

O ponto de partida foi a despesa com frete e carretos do comércio brasileiro para o ano de 2016 (R$ 23,3 bilhões), último dado disponível no IBGE. Devido às limitações das estatísticas disponíveis, dois objetivos precisavam ser alcançados: aferir o valor para 2017 dessa variável e regionalizar a informação para nosso estado.

Com relação ao primeiro, o custo foi estimado através da sua relação histórica com o PIB dos Serviços. Como já sabemos a variação do último em 2017, foi possível inferir a magnitude do crescimento do primeiro ante 2016. Já o valor para o RS foi obtido a partir da importância do Comércio gaúcho em relação ao total do setor no Brasil, medido pelo PIB.

Segundo nossos cálculos, as despesas com frete e carretos para o Comércio em nível regional no ano passado alcançaram R$ 2,09 bilhões. Consideramos, na sequência, diferentes cenários para o impacto do tabelamento do frete, conforme o gráfico abaixo. Por exemplo, caso esse serviço tenha ficado 20% mais caro, o impacto é de R$ 244 milhões, considerando o período entre junho e dezembro de 2018. Esse valor corresponde a 1,2% das despesas totais do setor no RS.

Com base no estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) sobre o impacto do tabelamento do frete para o Brasil, foi possível segmentar esse valor: R$ 168,1 milhões para o Atacado, R$ 65,8 milhões para o Varejo e R$ 10,1 milhões para o comércio automotivo.

É importante lembrar que todos os números são conservadores, uma vez que o levantamento sobre as despesas do comércio consideram apenas unidades com 20 funcionários ou mais. Além disso, o RS tem uma posição geográfica relativamente distante dos grandes centros localizados mais ao centro do Brasil, ou seja, o impacto pode ser ainda maior do que em relação aos principais estados produtores.

Por fim, acreditamos que o aumento de gastos com frete deve ser repassado, senão todo, mas em boa parte para o consumidor final. Isso porque as margens de lucro do setor seguem comprimidas, em função da lenta recuperação após uma das maiores crises da história da economia brasileira.


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