RECRIE O VAREJO: O desenvolvimento de um novo negócio em meio à crise

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MAIO, 2020

Notícias

Quando tudo parece perdido, ainda assim é possível virar o jogo. Uma loja de vestuário com confecção própria, impedida de funcionar durante o isolamento social causado pela Covid-19, encontrou na produção de máscaras de tecido em algodão uma saída para preservar parte do faturamento e evitar a demissão de funcionários. A solução era simples: utilizar a matéria-prima que havia em estoque, adequada para o novo produto, e a qualificação do próprio time para adaptar o negócio. O resultado veio rápido e abriu oportunidades para atuar em nichos diferentes de mercado em um futuro próximo.

Veja o passo a passo deste processo:

 

CONHEÇA A EMPRESA

>> Ishtar Alfaiataria Feminina

Características do negócio
– Setor de vestuário
– Confecção própria
– Loja de rua e de shopping
– Médio Porte

Problema
Impedimento de abertura de loja zera o faturamento mensal do negócio.

Ponto-chave
Com atenção ao mercado, perceber novas oportunidades e partir para a ação sem medo!

 

PLANO DE AÇÃO

Desenvolver um novo produto com a infraestrutura e a mão de obra pré-existentes, utilizando matéria-prima em estoque, e viabilizando as vendas por plataformas online.

Passo 1: Análise do cenário nacional e internacional, e das tendências sanitárias mundiais, como o uso de máscaras de tecido reutilizáveis para diminuir o contágio entre as pessoas no convívio social.

Passo 2: Entendimento sobre as dificuldades que o uso da máscara descartável traria, como o alto custo com a utilização diária de 3 a 4 unidades, e a alta produção de resíduos prejudiciais ao meio ambiente.

Passo 3: Construção de um novo business, a partir da infraestrutura pré-existente – adaptação da produção de roupas de alfaiataria feminina para as máscaras de tecido. Com isso, foi solucionada a problemática da existência de mão de obra qualificada e ociosa com a proibição de funcionamento da loja. As costureiras terceirizadas, que já trabalhavam em home office e estavam disponíveis para o serviço, agora também terão a preservação de suas rendas.

Passo 4: Procura por matéria-prima adequada, como tecido SNS e TNT – usados na área da saúde. Diante da escassez do produto, adaptação do material já obtido em estoque para confecção de camisas e também autorizado para utilização em máscaras – o Tricoline (não sintético, 100% algodão, leve e muito resistente).

Passo 5: Desenvolvimento do produto pela sócia da empresa, com formação em engenheira de produto. Etapa de testes. Entrega de matéria-prima na casa das costureiras, preservando ao máximo o isolamento social. Vendas online – por redes sociais e whatsapp – com serviço de tele-entrega.

 

RESULTADOS

No primeiro lote de produção, mil peças foram confeccionadas. Todas as unidades foram vendidas online, por redes sociais e whatsapp, com serviço de tele-entrega, em menos de 24 horas. Os proprietários desenvolveram uma tabela de preços que propicia descontos para compras em maiores quantidades, atendendo também a demanda de empresas. “Atendemos todo mundo que entrar em contato, pessoas físicas e jurídicas, desde a compra de uma unidade até mil”, explica o proprietário.

Os pedidos não param e o desenvolvimento do produto continua avançando. O próximo passo da confecção é personalizar as máscaras para empresas, com suas respectivas marcas. E já há interesse de orçamentos desta modalidade de produção para empresas do varejo.

A loja também pensa a longo prazo e produz peças extras para gerar um estoque satisfatório para a demanda ascendente já prevista, conforme a redução do isolamento social e a contínua necessidade das pessoas de preservarem a saúde.

Os empresários entendem que há um quesito estético envolvido nesse produto, desenvolvido exclusivamente para suprir questões sanitárias. “As pessoas não querem qualquer produto para colocarem no rosto. Percebemos que essa tendência está aderindo cada vez mais. Acreditamos que isso fará parte do nosso mix de produtos, enquanto o cenário permanecer assim. E quem sabe até sofisticando o produto e ingressando em novos nichos comerciais da área de vestuário”, detalha o proprietário que administra a loja.

A Ishtar Alfaiataria Feminina, com a produção de máscaras, está atingindo de 15% a 20% do faturamento normal. De tudo que está sendo comercializado pela marca no momento, 95% é referente às máscaras e 5% às roupas.

O empresário ainda destaca que, com a pandemia, a loja finalmente está desenvolvendo seu e-commerce, que será lançado em breve: “Com a desmistificação na compra pela internet, nos sentimos impulsionados a tocar este projeto antigo e tão necessário. O mercado nos mostrou que não podemos depender apenas da loja física e que podem ir muito além das nossas possibilidades”.

 

Carlos Klein
Sócio-proprietário da empresa Ishtar Alfaiataria Feminina, em Porto Alegre. Diretor de Micro e Pequenas Empresas da CDL POA.

 

 

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A CDL Porto Alegre reafirma seu compromisso em acolher as necessidades dos varejistas, auxiliando-os a transpor os entraves da disseminação do coronavírus. A Entidade tem a convicção de que a unidade do setor fará grande diferença neste momento tão delicado e de apreensão para todos. Com a atenção e a disponibilidade de cada empresário, para fazer a sua parte, o setor sairá ainda mais forte desta crise.