Uma nova leitura sobre o índice oficial de inflação do Brasil em 2018

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ABRIL, 2019

Notícias

O Banco Central divulgou estudo recente sobre a decomposição do IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, em 2018. Através de metodologia adequada, é possível separar os elementos que, de alguma forma, ditaram a variação do nível geral de preços no ano passado. De acordo com o IBGE, o indicador teve alta de +3,75%, ou seja, 0,75 ponto percentual (p.p.) abaixo do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. Esse é o ponto de partida, de modo que se somarmos cada uma de suas respectivas influências, chegaremos ao desvio. Todos os resultados estão sintetizados no gráfico abaixo.

Em primeiro lugar, a inércia contribuiu com 0,46 p.p. para o desvio total. Esse fenômeno diz respeito à tendência de perpetuação da inflação passada para o futuro, alimentada pelos mecanismos de indexação existentes em alguns preços e salários da economia. Como, em 2017, o IPCA cresceu apenas 2,95%, estando fora, inclusive, do intervalo definido pelo CMN (entre 3,0% e 6,0%), o componente da inércia foi relevante para manter o IPCA bem-comportado.

Por sua vez, a influência das expectativas foi de -0,32 p.p. para o desvio total. Ao longo de 2018, as previsões para o IPCA, de acordo com os dados de mercado do Relatório FOCUS, do Banco Central, sempre permaneceram abaixo de 4,5%.

Pelo lado da inflação importada, a contribuição foi de +0,94 p.p.. O principal motivo foi a significativa desvalorização da taxa de câmbio no ano passado, concentrada principalmente no segundo e terceiro trimestres. Além do aumento de juros nos Estados Unidos, as incertezas decorrentes do processo eleitoral no Brasil foram decisivas para esse movimento. Vale lembrar que o Dólar mais caro atua para encarecer os produtos vindos do exterior, o que restringe a concorrência em favor das mercadorias domésticas e, por conseguinte, eleva os preços.

Por fim, os choques de oferta foram praticamente neutros (-0,06 p.p.). Acreditamos que a inexistência de condições climáticas desfavoráveis ajudou a sustentar a inflação de alimentos (+4,52%) praticamente em linha com a meta (+4,5%). Outros fatores não explicados pelo modelo responderam por -0,84 p.p..

Para 2019, tanto a inércia carregada de 2018 quanto as expectativas devem colaborar para o controle do IPCA, enquanto que a inflação importada dependerá da evolução da taxa de câmbio e da cotação internacional das commodities no mercado internacional: o avanço do preço do barril de petróleo nas últimas semanas já está reverberando sobre os combustíveis. No que tange aos choques de oferta, as projeções para a safra de grãos em 2019 (+2,5% ante 2018, segundo a CONAB) apontam novamente para neutralidade.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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